Frei Betto: A saga dos imigrantes

on .

Águas do Mediterrâneo sepultaram, de janeiro a agosto deste ano, 2.500 fugitivos da miséria e da violência, que buscam paz

MATÉRIA PUBLICADA NO SITE DO JORNAL “O DIA” EM 05/09/2015 - (ACESSO EM 18/11/2015)


Rio - Todos acompanhamos, pela mídia, o fluxo migratório, rumo à Europa Ocidental, de africanos e árabes de países em conflito. Em 2015, 332 mil imigrantes já aportaram no Velho Continente. As águas do Mediterrâneo sepultaram, de janeiro a agosto deste ano, 2.500 fugitivos da miséria e da violência, em busca de um pouco de pão e paz. Em 2014, foram 3.500.

Um dos casos mais dramáticos é o dos 71 imigrantes encontrados mortos em um caminhão frigorífico nas proximidades de Viena, asfixiados pela falta de ventilação. O que fizeram os nazistas nas décadas de 1930 e 40 agora se repete em escala menor, contudo de modo não menos trágico.

O Papa Francisco tem feito insistentes apelos em defesa das vítimas de um mundo hegemonizado por um sistema no qual a livre circulação de moedas não encontra reciprocidade na livre circulação de pessoas. Ao capital, todas as fronteiras se abrem. Às pessoas, todas se fecham, sobretudo se são negras ou muçulmanas. Estas tidas, pelo preconceito, como potenciais terroristas. Quem foge da fome e da guerra quer apenas um lugar ao sol neste mundo marcado pela desigualdade e indiferença.

A Europa Ocidental colhe o fruto da semente maligna que plantou: séculos de colonialismo na África e de apoio a regimes ditatoriais no Oriente. Após extorquir riquezas naturais e sustentar ditadores sanguinários, os europeus deixaram um lastro de miséria e violência. Tivessem promovido a democracia e o desenvolvimento daqueles países, não estariam agora erguendo muros para deter a horda de imigrantes, e estes não arriscariam a vida nas águas do Mediterrâneo agarrados à frágil esperança de uma vida melhor.
A União Europeia apoiou a brutal intervenção dos EUA em países árabes. Após sustentar Saddam Hussein, Kadafi e Bashar al-Assad, as potências ocidentais, de olho no petróleo daqueles países, apelaram ao pretexto de terrorismo para derrubar as antigas marionetes e deixar no lugar o caos.

Os europeus ocidentais se esquecem do próprio passado. Entre 1890 e 1910, mais de 17 milhões de europeus migraram para os EUA — 570 mil por ano. E milhares vieram para a América do Sul. Isso quando a população mundial era quase um quarto da de hoje. O fluxo migratório do Atlântico foi muito mais intenso que o atual.
O preconceito mata suas vítimas e os valores humanos que teoricamente defendemos. E a discriminação revela a nossa verdadeira face.

Fonte:

http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2015-09-05/frei-betto-a-saga-dos-imigrantes.html

Era uma vez dois amigos ...

on .

 ( Homenagem a Alberto Remédio Fº e Mário Amato)

 Esta história começa no século passado, numa pequena cidade chamada Vinhedo... Lá viviam meus tios, primos, amigos de meus primos. Em frente à matriz, havia uma praça. Mais abaixo, a estação ferroviária, bem movimentada. As fábricas que se instalavam geravam empregos pra muita gente.  

Neste cenário bucólico e, ao mesmo tempo, com características das novas cidades que surgiram nos arredores de São Paulo e Campinas, viviam dois rapazes dos quais eu não me esqueço – Alberto Remédio Filho, meu primo, e Mário Amato, amigo dele. 

Mário estudava Sociologia e praticava autenticamente as idéias que assimilava, no período difícil em que ter responsabilidade social era risco de perseguição política. Ainda não se falava em Cultura de Paz, mas ele já a vivenciava e ensinava promovendo a justiça social, solidariedade e participação democrática. Sua coragem e autenticidade foram para mim lições de vida. Lembro-me de sua primeira campanha para vereador, dos livros que líamos, dos ideais e esperanças dos jovens avançados daquele tempo. 

Alberto, em outro ritmo, com seu jeito comedido, na sustentável leveza do ser, mergulhou nas águas da Educação e fez a diferença. Conduzia seus alunos pelos labirintos da matemática e das descobertas juvenis. Como a matemática é para muitos uma bruxa assustadora, Alberto inventou os “ Matemágicos” para quebrar o estigma traumatizante  dessa disciplina curricular.

Eu era fã de carteirinha do mágico-professor, com sua mala de apetrechos, usados nas apresentações. Certa vez, eu lhe dei outra mala para substituir a antiga, que pedia aposentadoria. E ele ficou tão agradecido, por tão pouca coisa... 

Meus amigos não eram perfeitos; tinham as fragilidades de seres humanos, mas eram Seres Humanos especiais, pacíficos...

O tempo foi passando e os dois amigos remando no mar da vida cotidiana. Mas, nem sempre, o mar está calmo. Não estamos imunes às tempestades que surgem sem avisar. Novos desafios aconteciam de tempos em tempos.  Coisas boas que alegravam, revezes revestidos de tristezas... E a vida tocando em frente... porque a evolução não pára e não volta atrás... 

Primeiro foi Mário que adoeceu. Lembro-me de quanto Alberto ficou abatido com a doença do amigo.  Lentamente, Mário foi caminhando pela linha do arco-íris até chegar além do horizonte.  Depois, foi a vez de Alberto fazer o mesmo caminho, lentamente, mas ficando com o espírito  cada vez mais burilado. 

Hoje, os dois amigos estão em novo ciclo de vida, com novas oportunidades de evolução, mas sempre presentes em nossa lembrança. Lembranças boas, bons sentimentos que nos ligam e nos convencem de que a morte pode desfazer a matéria física, mas as consciências transcendem e permanecem conectadas pelos laços que tecemos pelo tempo a fora.

                                                                         Sílvia Costa / Guaxupaz                                                    

( Alberto Remédio Filho partiu do mundo físico em 26 /07/2015)

 

Liderança de Equipes

on .

A cada dia que passa novas descobertas são feitas, novos produtos e tecnologias surpreendentes são criados, novas barreiras são quebradas. Vivemos em um mundo que evolui e se transforma mais rapidamente graças a muitas equipes eficientes e de alta performance espalhadas por todo mundo.

Tais equipes que geram resultados acima da média e trabalham com motivação e alegria tem em comum uma peça fundamental: um grande Líder. Sem ele, as equipes raramente conseguem atingir o seu potencial máximo, o que causa frustração, desânimo e resultados abaixo do esperado.

O Líder é o principal elo de uma boa equipe, pois ele é o responsável por criar a cultura e hábitos da equipe através do seu próprio exemplo. Muitos ainda confundem Líder com Chefe e acham que são a mesma coisa, mas na verdade são conceitos completamente diferentes. O chefe é uma pessoa que você escuta e obedece por obrigação, dada a hierarquia da empresa. Já um Líder é uma pessoa que você escuta e segue por confiar na sua visão, habilidades e competências. O Líder é uma pessoa que:

• Motiva todos dentro da equipe com sua visão inspiradora que desperta em toda a equipe a vontade de atingir as metas;
• Sabe identificar as habilidades de cada membro da equipe, buscando potencializá-las;
• Estabelece metas e desafios consistentes com o treinamento oferecido e não exige aquilo que ela não está preparada para entregar;
• Comunica-se de maneira eficiente, sabendo que não basta falar, mas sim que todos entendam claramente a mensagem que está sendo passada.
• Sabe delegar tarefas e funções, não centralizando todas as decisões e deixando toda a equipe desenvolver-se;
• Sabe reconhecer o trabalho e esforço de cada um e o faz com frequência

Assim como várias outras competências, liderança também pode ser aprendida e melhorada. Qualquer pessoa pode tornar-se um grande Líder de equipes, mas para isso é necessário esforço e dedicação. Há uma frase de Robert Bonarc que diz: “Antes de liderar outros, dirigir empresas, comandar exércitos, governar nações, aprenda a ser o Líder de si mesmo e a dirigir sua própria Vida”, ou seja, você não pode ser o líder de outras pessoas se não tem competência para liderar a própria vida. Por isso, minha dica final é: para ser um verdadeiro Líder você deve preparar-se para isso através de leituras, seminários, treinamento e muita prática. Boa sorte!

Paulo Costa
Líder de Comunicação e Publicidade – Marketing LCB
Diretor de Desenvolvimento de Negócios para América Latina na Critical-Links


“O chefe é uma pessoa que você escuta e obedece
por obrigação, dada a hierarquia da empresa.
Já um Líder é uma pessoa que
Você escuta e segue por confiar
na sua visão, habilidades e competências.”
O bom líder é um agente de paz!

ESTATUTO DA FAMÍLIA: QUAL A SUA POSIÇÃO?

on .

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.” (Martin Luther King)


Um vídeo em rede social e uma notícia internacional me fizeram pensar no Brasil de hoje. No filme, um orangotango tirava sujeiras, acarinhava e brincava com filhotes, uma cena curtida, comentada e compartilhada por muita gente. Por que? A que instituição, a que profundo anseio humano nos remete a cena? Sem dúvida à família, esse nosso lugar fundamental de cuidado, aprendizado, carinho e recomposição do ser para o mundo.

E se eu dissesse que os filhotes envolvidos e cuidados pelo orangotango eram de leopardo? Deixaríamos de relacionar a cena com a família? Acaso uma família será menos família se os filhos forem adotivos, se a união se der na diversidade? Claro que não, será até mais família, pois há ali uma superação do egoísmo, um afeto independente da tremenda força do instinto. Então, o que caracteriza realmente uma família? A resposta óbvia é, unicamente, o cuidado, o carinho, o vinculo afetivo.

Pois a família está ameaçada exatamente em sua essência, devido a aparências e intolerâncias. Está em tramitação no Congresso Nacional, um projeto de lei chamado “Estatuto da Família” que restringe o conceito de família a núcleos formados por um homem e uma mulher, ou um deles e seus descendentes. Mas será possível hierarquizar afetos, instituir que amores que precisam ser apoiados, quais devem ser reprimidos?

Pois a notícia nos ajuda na mesma reflexão. Milhares de refugiados da etnia muçulmana rohingya e bengalis estavam em alto mar no Sudeste Asiático. O governo da Indonésia atuava firmemente para que ninguém ajudasse os refugiados que alcançavam de barco os mares do país. Pescadores ouvidos disseram que não podiam salvá-los mesmo se estivessem se afogando, pois a ajuda era considerada ilegal, algo semelhante à indignidade atribuída aos párias que morrem sem apoio na Índia.

Os registros oficiais relatam mais de cinco mil crianças disponíveis para adoção no Brasil, verdadeiros refugiados da violência e das drogas. Impedir uma família formada por duas pessoas do mesmo sexo de adotar, não reconhecer esse amor como uma família é uma subversão dos mais essenciais valores de solidariedade, fraternidade e compaixão que formam a sociedade brasileira. Quem pode ter autoridade para proibir o afeto?

A idéia de família é tão poderosa que, associada à propriedade, já foi usada para fomentar repressão e tortura. Agora tenta-se atrelá-la a preconceitos, ainda que para isso se deixe centenas de crianças sem lar. O convite urgente da lei atual, como já se posicionou o Supremo Tribunal Federal, e mesmo de qualquer pensamento realmente religioso, é identificarmos a família, qualquer que seja sua composição, apenas pela capacidade de dar amor, como fazem psicólogos e assistentes sociais judiciários nos Cadastros de Adoção, como fazemos nós na escolha cotidiana de quem é efetivamente nossa família, como fazem até os animais. Diante do absurdo, não podemos nos omitir: qual é sua posição?

Maurício de Araújo Zomignani
Assistente social judiciário.
E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Boas notícias

on .

José Pacheco ( Escola da Ponte)


O novo ministro da educação diz-nos que na educação como na cultura, não há limite: sempre se pode descobrir ou inventar mais (...) Cada vez mais, a educação deverá se culturalizar, deixando de seguir currículos rígidos. Quero acreditar que tais declarações se constituam num bom augúrio e que o mandato do novo ministro por elas se paute.

Mas as boas novidades não se quedam por aqui... O equinócio de Março parece ter aberto uma Caixa de Pandora, não de desgraças, mas de prodígios. 

Em Portugal, diretores de escola reconheceram que a retenção não resolve o problema do insucesso. E o Conselho Nacional de Educação recomendou o fim das reprovações. Esta não é a única entidade a alertar para as consequências negativas da retenção. O estudo "Retenção Escolar no Ensino Básico em Portugal" conclui que os alunos que reprovam não retiram qualquer benefício de terem ficado retidos e obtêm piores resultados no PISA do que teriam obtido, se não tivessem repetido o ano.

 Por seu turno, a Comissão Europeia critica a "cultura da retenção" afirmando que a “bomba" deve ser substituída por respostas a dificuldades de aprendizagem, enquanto um especialista corrobora esse parecer, acrescentando que é o próprio modelo de ensino que promove o insucesso: Estamos a preparar os alunos da mesma forma que preparávamos há cinquenta, ou cem anos, baseando o ensino exclusivamente na capacidade de reproduzir conteúdos. Ensinamos tudo a todos da mesma maneira e ao mesmo tempo, o que já não faz qualquer sentido.

Em muitas escolas portuguesas e brasileiras, uma rede de projetos discretamente se prefigura, esboçando novas construções sociais de aprendizagem, à semelhança de uma Finlândia, que esboça o abandono do tradicional ensino por disciplinas. No novo modelo, que será aplicado nesse país por volta de 2020, todos os assuntos estarão interligados.

Entretanto, o Ministério da Educação francês lançou uma reforma assente em três pilares: flexibilidade, autonomia e interdisciplinaridade. Essa reforma sustenta que as escolas devem alterar a sua forma de ensinar, dando mais importância aos trabalhos de projeto, aos trabalhos de grupo e proporcionando aos alunos oportunidades de procurar relacionar a sua aprendizagem com aspetos práticos do quotidiano, tornando as suas aprendizagens úteis, coerentes e significativas. O ministério classifica a sua reforma como uma  "  Refundação da Escola".

Outra grata surpresa veio da Catalunha. Os colégios jesuítas dispensaram aulas e testes, eliminaram cursos, exames e horários. Derrubararm as paredes de suas salas de aula e criaram grandes espaços de trabalho em equipe, onde se adquire conhecimentos através de projetos, com acesso a novas tecnologias. Um alto responsável jesuíta afirmou: Em vez de olhar para o diário oficial, olhamos para o rosto das crianças e ajudámo-los a desenvolver os seus projetos de vida, para descobrirem os seus talentos. Juntamente com a família e a internet, procuramos construir pessoas.

São boas as notícias. Por estas e por outras, mantenho a esperança de que o MEC delas tome conhecimento e faça aquilo que é preciso.