O assédio moral

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Renato Tadeu Veroneze (*)

Um assunto me chamou atenção esta semana quando, mais uma vez, uma aluna veio me relatar sobre várias situações em que estava sendo vitimizada no ambiente de trabalho. Já não é a primeira vez que pessoas daqui da cidade me relatam situações semelhantes. Parece que a falta de educação, agressividade, maus tratos, humilhação, dentre outras formas de comportamento, têm se tornado rotina nos diversos espaços de trabalho, públicos ou privados. Tais comportamentos se configuram como assédio moral.

O assédio moral caracteriza-se por qualquer exposição de pessoas a situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes. Tem sua maior preponderância no ambiente de trabalho que, normalmente, implica numa ação desumana, violenta e que envolve a ética profissional. Pode ser praticado por uma ou mais pessoas, com o intuito de desqualificar ou desestabilizar física, moral ou emocionalmente a pessoa envolvida, podendo até mesmo colocar em risco a saúde, a integridade e a vida da vítima.

Na maioria das vezes, caracteriza-se por pequenos atos perversos, que se tornam rotina no ambiente de trabalho e que acabam passando despercebidos. Podem se caracterizar como uma simples falta de respeito, uma mentira ou uma manipulação, envolvendo um comportamento agressivo e humilhante, podendo ser através de gestos, palavras ou ações que prejudicam a integridade física, psíquica e moral da pessoa envolvida, levando a situações negativas, difamatórias ou de perseguição.

O filme "O diabo veste Prada" (2006), uma adaptação cinematográfica do bestseller literário de Lauren Weisberger, é um exemplo clássico de assédio moral no ambiente de trabalho. O assédio moral degrada as condições de trabalho, se estabelece por comunicações não éticas e abusivas e de um comportamento hostil de um superior ou colega de trabalho.

Estudiosos apontam que se o grupo social não se manifestar contra tais condutas, estas podem se transformar progressivamente em ações perversas, ostensivas e que podem trazer conseqüências graves. Na maioria das vezes, as pessoas se calam e sofrem em silêncio por medo de represálias ou da perda do emprego.

O ritmo alucinado da vida social na atualidade e o incentivo a competição e ao sucesso a qualquer custo, tem levado a um comportamento alienado e de desvalorização do ser humano. Esclarecemos que as pessoas vitimizadas por estas situações devem procurar orientação profissional e, no caso das vítimas, devem buscar respaldo legal para serem sanados os problemas causados por este tipo de atitude. Já nos casos em que a vítima for lesada psíquica, moral ou fisicamente, deve buscar orientação profissional e tomar coragem para denunciar o/a gressor/a.

O Ministério do Trabalho e Emprego disponibilizou gratuita e virtualmente uma cartilha bem esclarecedora sobre O Assédio Moral e Sexual no Trabalho. Basta somente acessar o endereço eletrônico:

http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C812D3CB9D387013CFE571F747A6E/CARTILHAASSEDIOMORALESEXUAL%20web.pdf

A informação e a denúncia são sempre as nossas melhores armas contra ações que prejudiquem os direitos individuais e coletivos.
Faça valer o seu direito !

(*) O autor é Assistente Social

TEORIA DAS JANELAS PARTIDAS (ou do caos)

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Há alguns anos, a Universidade de Stanford (EUA), realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor, abandonadas na via pública. Uma no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram.Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

Mas a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto. O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso? Evidentemente, não é devido à pobreza, é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma idéia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Faz quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras. Induz ao “vale-tudo”. Cada novo ataque que a viatura so fre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

ESPERANÇA ONDE HAVIA DESESPERO

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Maurício de Araújo Zomignani

Os cenhos estavam franzidos. O cinismo dominava os palácios dourados. O ceticismo, a incredulidade, a desesperança estavam em todos os ambientes. Inúmeras igrejinhas montadas em cada esquina, em muitas repartições públicas, apenas para coletar dinheiro. Tudo isso ainda existe, mas agora há esperança. Havemos jovens.

Guerras e conflitos, inclusive religiosos, se disseminavam com ou sem sangue na Idade Média. Apelos sexuais, escândalos econômicos e conveniências mal disfarçadas denegriam a humanidade. Tudo isso ainda existe. Todos foram chamados à guerra, mas havia quem desafiasse, não atendesse, não importa se fosse deserdado. Desertou. Foi um homem só, mas ensinou a paz. Havíamos Francisco.

Hábitos escuros, sacristias negras, práticas tenebrosas. A luz entra mas para ser apagada, a criança entra mas para ser violentada. É necessária férrea vontade para vencer a tristeza, é preciso pura alegria para vencer a inércia. O materialismo prevaleceu na ciência, o mercantilismo na política, a extorsão, o abuso e a acomodação na religião. Essencial colocar palácios em segundo plano, descobrir o mundo que existe para além dos castelos, desencastelar a fé, libertando-a das conveniências e tradições vazias. Havemos Francisco.

O fogo da transformação esteve sempre aceso, mas sempre precisou de combustível, algo para ser transformado, alguém que se dispusesse à transformação. Os jovens foram para a rua dizendo não à corrupção, o pobrezinho de Assis foi para a rua dizendo não à violência religiosa, o papa foi para a rua dizendo não à opulência e à acomodação: cresce a labareda, será fogo de palha? Teremos mudança real?

Nada ainda mudou. Líderes políticos e religiosos ainda são exaltados enquanto o bem é humilhado, governos e igrejas ainda são ricos rodeados de um povo pobre, os dólares estão nas cuecas, os ouros nos altares, os dízimos nas malas e jatinhos, o materialismo e o sensorialismo ainda escravizam gostosamente as mentes. E a violência vai para as ruas mesmo quando a maioria dos jovens, todos franciscos, apontam para a paz.

Mas a opinião pública está se formando. Multidões querem política mas não querem esses partidos. Bilhões buscam o Cristo, mas fogem desses cristãos. Todos querem mudanças, mas sem essa violência. Desmascaram-se os autoproclamados manifestantes que buscam o crime, os ditos políticos e juízes que apenas protegem seus bolsos, os pretensos servidores de Jesus que servem mesmo é ao dinheiro.

Senhores acomodados e suas grandes barrigas, estufadas de gula, de vaidade, de materialismo e cinismo: Nós buscamos o essencial, nós temos informação, sabemos o que é manifestação inteligente e o que é estupidez violenta, o que é o bem comum e o que é politicagem, o que é o bem profundo e o que é mercantilismo religioso.

Há luz onde havia trevas, há esperança onde havia desespero. Nós temos esperança. Os cínicos ainda dirão que esperar não muda nada, mas nós sabemos que sem esperança é que não existe mudança. A religião e a política verdadeiras estão nas ruas. Estão nas veias. Estão nas suas?

Maurício de Araújo Zomignani é assistente social.
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“Valores que não têm preço – do monólogo ao diálogo”

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Síntese de palestra  proferida por Lia Diskin * (Universidade Santa Cecília/ Santos-SP)

Entre a ordem do Cosmos e a sabedoria biológica, um projeto inacabado- o humano.
Passado : dependência ( da tribo, do grupo, homogeneidade)
Presente: independência (sociedade moderna individualista)
Futuro: interdependência (sociedade pós-moderna, cooperativa)

A Moral determina ação conforme regras, normas instituídas.
A Ética questiona aquilo que fundamenta a moral. Analisa as fontes, suas bases e princípios. É uma reflexão sobre a moral.

Francisco

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Que coisa mágica é a vida. Estava eu chegando a Buenos Aires na semana passada para uma reunião de trabalho e jamais poderia imaginar que estivesse ali naquele dia para presenciar a mão do Espírito Santo e da história.

Saí do Aeroparque, o belo aeroporto ribeirinho da capital argentina, e fui até o meu hotel trocar de roupa antes de minha reunião. Liguei a televisão e, para a minha surpresa, o papa já havia sido escolhido.

Durante a próxima hora, eu e o mundo esperamos para ver que novo papa a fumaça branca nos traria. E eis que ele chegou. Surpreendente como a vida. Um argentino. E eu em Buenos Aires.

Começava ali uma aula de comunicação para o mundo que resume e mostra de maneira instintiva tudo o que os teóricos enchem a paciência e perdem um tempo enorme para explicar: a comunicação de 360 graus.

O cardeal Jorge Mario Bergoglio mostrou sem PowerPoint nem lero-lero como uma palavra pode mudar tudo, como um nome pode ser capaz de transmitir para o mundo todo uma mensagem tão poderosa e precisa.

A palavra é Francisco.

Francisco é uma palavra rica de significados num mundo pobre de significado.

Francisco quer dizer coma moderadamente num mundo obeso. Francisco quer dizer beba com alegria num mundo que enfia a cara no poste. Francisco quer dizer consumo responsável em sociedades de governos e consumidores endividados. Francisco quer dizer o uso responsável do irmão ar, do irmão mar, do irmão vento e de todas as riquezas debaixo do irmão Sol e da irmã Lua.

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