Recriação de histórias pela abordagem pacífica

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As histórias infantis são apenas encantamento e estímulo à imaginação das crianças, ou trazem implícitas nos enredos atitudes agressivas e preconceituosas?

A violência nos contos infantis, nos filmes e desenhos animados é uma realidade que passa despercebida pela maioria dos pais e educadores.

Samuel Nascimento em seu artigo “ A Violência nos contos infantis” leva o leitor a refletir sobre o tema buscando uma forma melhor de trabalhar o conto infantil, sem estimular as atitudes anti-éticas como : levar as crianças a ter preconceitos por velhos, madrastas e outros tantos personagens que povoam os contos infantis.

O articulista faz referências à pesquisadoras de Literatura Infantil. Uma delas, Bárbara Vasconcellos de Carvalho sugere modificações nos enredos de histórias tradicionais para adequá-las às concepções de infância/criança do momento atual. Certos personagens podem ser substituídos e algumas passagens ser alteradas sem que se modifique o sentido das estórias. São citados os exemplos da estória “Pele de Asno”, cujo enredo é a perseguição de um pai que deseja casar-se com a própria filha... O Chapeuzinho Vermelho, cuja avó é devorada pelo lobo mau. “Branca de Neve” e a “Gata Borralheira” são perseguidas pelas madrastas. A pesquisadora sugere que a personagem do pai ( pelo absurdo do incesto) seja substituída por um velho e amigo da família; as madrastas, por entidades diferentes, para que não sejam sistematizadas as más ações / sentimentos em um só tipo de criatura, criando uma predisposição negativa no espírito da criança. As autoras da obra "Literatura Infantil: Voz de Criança" , Maria José Palo e Maria Rosa Oliveira, alertam para as contingências chocantes de contos infantis como velhas feias, bruxas de aparência medonha etc., pois estes biótipos podem ser os mesmos do convívio das crianças. Segundo elas, as qualidades e defeitos devem ser pontuados, mas sem se criar símbolos.

O articulista Samuel Nascimento, apoiado nos textos de referência, chama a atenção para o fato de que se traçarmos um parâmetro entre a história de João e Maria e os milhares de órfãos que habitam as ruas das grandes cidades, veremos que a história se repete nos dias atuais. Há muitas madrastas más, pais irresponsáveis e órfãos maltratados. As perversidades praticadas e outras ações que aparecem nos enredos são um mau exemplo para as crianças. No entender do articulista, estes temas quando bem trabalhados podem ter outra forma de abordagem. Segundo ele, a história de João e Maria poderia terminar com os dois sendo adotados por uma senhora solitária que morava na floresta, numa casinha cheia de amor e alegria. Recomenda buscar, dentro da própria literatura, uma fórmula para reverter essa situação, contando as mesmas histórias, porém com uma nova ótica.

O artigo de Samuel Nascimento poderá ser lido na íntegra acessando :

http://ohistoriador.arteblog.com.br/622453/Artigo-A-violencia-nos-contos-infantis/

Histórias recriadas pela abordagem pacífica

Os Três Porquinhos fazem um amigo inseparável...


"Era uma vez um lobo solitário que queria muito ter amigos. Nas suas andanças procurando um amigo encontrou um porquinho que vivia numa casa de palha. O porquinho olhou o lobo pela janela e ao ver sua aparência, preto, alto, forte, uma boca enorme e cheia de dentes, ficou desconfiado e não abriu a porta.

O lobo gritava para o porquinho. Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo! E de tanto gritar e por ser forte e grande, a força de seu grito fez desmoronar a casa de palha do porquinho que já estava discriminando o lobo por sua aparência, mais assustado ainda ficou e fugiu. O lobo foi atrás do porquinho gritando: Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo!

O porquinho entrou na casa de madeira de seu irmão e lá ficou. O irmão do porquinho olhou o lobo e julgando-o como seu irmão pela aparência não abriu a porta! O lobo continuou a gritar: Quero ser seu amigo! Quero ser seu amigo! E de tanto gritar e seu grito era forte, derrubou a casa de madeira do irmão do porquinho, que abrigava os dois porquinhos que também não tinha alicerces como a casa de palha. Os dois porquinhos fugiram para a casa de tijolos de seu outro irmão e o lobo foi atrás, sempre gritando: Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo!

O terceiro irmão também discriminou o lobo pela sua aparência e não deixou ele entrar na casa. E o lobo continuou gritando. Depois de algum tempo, começou uma chuva torrencial. E o lobo lá fora gritando: Eu quero ser seu amigo!

Só então, os porquinhos admirados pela constância do lobo em continuar ali gritando na chuva, resolveram sair para saber o que ele queria. Ouviram então o lobo emocionado dizer: Eu quero ser seu amigo! Juntos podemos mais!

Ainda desconfiados, chegaram perto do lobo, que todo molhado os abraçou e só então, só então mesmo, eles deixaram o lobo entrar na casa. E dali em diante lobo e porquinhos se tornaram amigos inseparáveis cada um fazendo o que sabe para tornar a vida na floresta um pouco melhor."

Fonte :Esta estória foi contada ao neto de Ligia Deslandes por seu filho de 25 anos. Ligia Deslandes a reproduziu no artigo "As ideologias que ensinamos às crianças" , postado em seu blog

http://ligiadeslandes.blogspot.com.br/2012/07/as-ideologias-que-ensinamos-as-criancas.html

Está postado também em

http://ciadapaz.blogspot.com.br/

 

CHAPEUZINHO VERMELHO E O INCRÍVEL LOBO BOM

Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho. Todos a chamavam por esse apelido porque usava uma bonita capinha vermelha com capuz feita por sua avó.

Chapeuzinho era uma menina muito feliz.

Vivia conversando com os passarinhos e cuidava da natureza com muito carinho.

Todos a amavam por sua alegria e generosidade.


Um dia, sua mãe a chamou e disse a mesma coisa que você escuta cada vez que esta história é contada:

_ Filhinha, preparei uma cestinha com doces deliciosos e você deve levá-los para sua avózinha que está muito doente.

A mamãe recomendou à menina que não parasse no caminho nem conversasse com estranhos, mas que fosse direto para casa da vovó.

Lá se foi a Chapeuzinho Vermelho cantando a mesma canção de sempre:

_ Pela estrada afora eu vou bem sozinha, levar esses doces para vovozinha. Ela mora longe e o caminho é deserto e o Lobo Mau passeia aqui por perto..
O Lobo ouvindo essas últimas palavras, ficou muito triste e assim falou:
_ Olá boa criança! Aonde vai debaixo desse sol tão quente?
Chapeuzinho, muito espantada respondeu:
_ Que susto o senhor me deu! Minha mãe recomendou para que eu não conversasse com estranhos, pois é muito perigoso, e o Lobo Mau continua por aí.
O lobo respondeu:
_ Sua mãe tem toda razão, mas hoje eu sou um velho e sábio lobo. Quando eu era jovem, um caçador me ensinou que quem faz maldades acaba se dando mal. Desse dia em diante, eu aprendi a lição e ensino aos meus netinhos. Mas pra onde você está indo, Chapeuzinho?
_ Eu vou levar esses doces para minha avó que está doente.
_ É por iso que sua vovó não sara. Os doces devem ficar para sobremesa. As pessoas doentes devem comer alimentos saudáveis para terem boa saúde, e as pessoas que não estão doentes, também, para não adoecerem. Comendo apenas doces a vovó não vai sarar nunca. Você sabe quais são os alimentos saudáveis? As crianças que estão ouvindo essa história podem ajudá-la a lembrar (Nesse momento, faça que as crianças interajam com a história, mencionando os alimentos importantes para a saúde).
Os dois continuaram conversando e asim o lobo falou:
_ Volte para casa e peça pra mamãe colocar na cestinha alimentos pra uma refeição saudável e, depois disso, sua avózinha vai sarar.
Chapeuzinho Vermelho seguiu os conselhos do velho e sábio lobo e seguiu para casa da vovó cantando essa nova canção, que era assim:
_ Pela estrada afora eu vou bem sozinha, levar bons alimentos para a vovozinha, Ela mora longe e o caminho é deserto e o Lobo Bom passeia aqui por perto.
O lobo ouvindo essa música diferente, também cantou feliz:
_ Eu sou um lobo sábio, com educação, ensino a fazer boa alimentação.

Chegando à casa da vovó, a netinha a encontrou muito fraquinha. Também pudera! Tantos anos só comendo doces!

Além de fraquinha os dentinhos estavam todos cheios de cáries. Então a netinha explicou direitinho para sua avó como as pessoas devem se alimentar. Explicou-lhe, também, que é importante fazer suas refeições nas horas certas e não desperdiçar comida. Deve deixar os deliciosos doces para a sobremesa e que não pode esquecer de escovar os dentes após cada refeição.

No final da história, a vovó sarou, foi ao dentista e tratou os dentinhos cariados e ficou com um sorriso encantador.
Todos da familia foram à floresta agradecer ao velho e sábio lobo pelos bons conselhos.

Aprendendo com o Lobo Bom

Através da magia do conto de fadas é possível proporcionar às crianças o acesso ao mundo adulto, por meio do encanto e do envolvimento que lhes permite interagir, compreender e se apropriar dos conhecimentos construídos, vivenciá-los e resignificá-los, colocando em prática e transportando-os para suas vivências.
Em uma roda de conversa pergunte quem já ouviu a história da Chapeuzinho Vermelho e dê a cada criança a oportunidade de contar um pouco do que conhece. Dessa forma você trabalha a sequência de fatos, que não deixa de favorecer o desenvolvimento do conhecimento lógico-matemático, tão importante e presente em todos os segmentos, pois prepara a criança para compreender dentro de uma situação qualquer, o que aconteceu antes e depois.
Durante a conversa, leve os pequenos a perceber que é importante respeitar o que cada um pensa e que é necessário aguardar a sua vez de falar para que todos tenham a oportunidade de ouvir, compreender e reconstruir a história. A nova versão da história trabalha ainda a importância de uma alimentação sadia, diversificada e equilibrada. Questione ainda a diferença entre o conto original e a versão adaptada.

Fonte:

http://lili-domdeeducar.blogspot.com.br/2009/10/chapeuzinho-vermelho-e-o-lobo-bom.html


Recontagem de histórias para os tempos modernos

CHAPEUZINHO VERMELHO DOS TEMPOS MODERNOS

Uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho foi pela floresta para visitar sua avó doente. No caminho desconfiou que estava sendo observada e pegou outro caminho. O lobo que a seguia correu para a casa da Vovó, pois sabia que esse era o seu destino.
Quando a menina finalmente chegou na casa da vovó, entrou e foi direto ao quarto. Abriu a porta, levou um susto e disse:
- Vovó como você está diferente, tão peluda!
- São esses tratamentos de pele, minha neta! Que ao invés de rejuvenescer, criam pêlo.
- Esses olhos tão grandes?
- Foi a plástica que fiz para melhor enxergar. Não achou legal?
- Esse nariz tão grande?
Está inchado de tanto fazer pilling, minha querida!
- Não é a toa que a Senhora está doente, com tantos tratamentos estranhos. Mas e essa boca tão grande?
- Isso é para ...
É interrompida pela porta que se abre e um Guarda Florestal entra rápido.
- Prenda Seu Guarda!Aposto que é o lobo que fez algo com minha avó. Fiquei desconfiada e chamei o Guarda. Eu estava certa!
A porta se abre mais uma vez e quem entra para o espanto de todos - a Vovó. Cheia de sacolas, de óculos escuros modernos e cabelos pintados de rosa.
- Vovó o que é isso? Venho aqui visitá-la, pois mamãe disse que a Senhora estava debilitada e mais ...
- Chega de mais, replicou a Vovó. - Sua mãe é uma retrograda, não gosta que eu more na floresta, não deixa eu ir ao shopping fazer comprar e muito menos admite a minha amizade com o lobo. Por isso, pedi para ele tomar o meu lugar enquanto eu saísse para ninguém desconfiar. Quer saber? Chega! Por isso, pintei o cabelo. Vamos agora mesmo conversar com a sua mãe e vou pedir para ela parar de colocar esse capuz vermelho em você. É muito démodé!


Esse conto foi um exercício do curso de contos infantis. Já foi publicado no Jornal Diário de Santa Maria.

Fonte:

http://contosdatiadeia.blogspot.com.br/2012/01/chapeuzinho-vermelho-dos-tempos.html

Chapeuzinho vermelho na versão de Rubem Alves

Leia a história em:

http://www.releituras.com/rubemalves_chapeuzinho.asp


Para ler e aprofundar sobre o assunto:


Chapeuzinho Vermelho: Comparação de Versões Traduzidas no Brasil

http://editorarealize.com.br/revistas/enlije/trabalhos/44a8b5d0c833b23af59f147546dbe62e_56_105_.pdf

As Várias Histórias de Chapeuzinho Vermelho :

Repressão e Moral nos Contos de Fadas

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:9bNNl60tMhEJ:www.revistas.usp.br/anagrama/article/view/35461/38180+&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

Comparando diferentes versões de Chapeuzinho Vermelho

http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/comparando-diferentes-versoes-chapeuzinho-vermelho-530055.shtml

Violência Escolar - Dos Contos Literários à Realidade

http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/420_296.pdf