Educação Sexual: como trabalhar o respeito à diversidade sexual

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Drª Mary Neide Damico- psicóloga

Sou docente na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e, desde 1995, desenvolvo um trabalho de formação de educadores sexuais, como Extensão Universitária. Entre os inúmeros temas tratados, o que diz respeito à diversidade sexual tem se mostrado como um dos temas que mais necessita ser debatido, pois os educadores apresentam muitas dúvidas sobre o assunto e sobre como abordá-lo com os alunos. É compreensível que os profissionais assim se encontrem, pois nossa cultura tem tratado este assunto com muitos tabus, preconceitos e, também, silêncio, ou seja, não se fala a respeito na escola e nem em casa, com os filhos. Inclusive as universidades, nas suas variadas Licenciaturas e, de modo especial, na de Pedagogia, omitem-se, pois por não abordam temas relacionados com a sexualidade.

Primeiramente, é fundamental que os educadores tenham oportunidade de rever o que sabem a respeito da homossexualidade, por meio de leituras, de bons filmes que tratem do tema e de debates em grupos formativos de Educação Sexual. Concomitantemente, precisam rever o que sentem a respeito para ressignificar seus conhecimentos e sentimentos, o que significa submeter-se a um processo de reeducação sexual. Caso os educadores percebam que têm preconceito, o primeiro passo é admitirem tal fato, pois só assim poderão reconhecer suas dificuldades de entender e/ou aceitar a diversidade sexual. Negar o preconceito só dificultaria a sua superação.

Muitas pessoas usam o termo: opção sexual,para se referir ao homossexual masculino ou feminino, mas este termo deve ser banido de nossa fala, pois não é uma opção, já que ninguém escolhe ser ou não ser homossexual. Denominamos de orientação sexual a atração sexual ou afetivo-sexual que uma pessoa sente por outra; três podem ser essas orientações: homossexual, heterossexual e bissexual. A orientação sexual não é instintiva; ela é multideterminada, uma vez que recebe influência tanto do meio familiar, quanto da cultura, da biologia e da história de vida de cada um.

Além da homossexualidade, a diversidade sexual abrange travestilidade e transexualidade, por isto falamos em pessoas LGBTT – lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Ser homossexual, travesti ou transexual faz parte da personalidade e a pessoa deve ser respeitada por ser como é. Devido ao pouco espaço deste texto, abordarei apenas a homossexualidade.

É importante que os educadores conversem sobre o assunto com seus alunos, sejam eles crianças, adolescentes ou jovens, com o objetivo de esclarecer que a homossexualidade não é doença e que, tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1984, como o Conselho Federal de Medicina, em 1990, proibiram a classificação da homossexualidade como doença, desvio, ou distúrbio.

Comumente, há preocupação, entre os pais e os professores, de que o fato de se falar sobre a homossexualidade, por exemplo, possa levar a criança a se tornar homossexual. Isto de forma alguma se dá, porque sentir atração e, sobretudo, apaixonar-se por outra pessoa é algo inerente a cada um, que não segue ditames externos; é uma questão íntima que envolve sentimentos.

É necessário que, desde pequena, a criança compreenda, com naturalidade e serenidade, que as pessoas são diferentes em muitos quesitos, entre eles, o sexual. Uma professora pode aproveitar uma matéria de jornal, por exemplo, que narra uma violência praticada contra um homossexual ou que narra que um casal homossexual efetivou a união civil, para ler com a classe e explicar sem preconceitos. É muito bom dar espaço para os alunos conversarem sobre o assunto, para falarem o que sabem e o que pensam. O educador precisa saber ouvir.
Se uma criança pequena pergunta o que é gay, deve-se explicar a verdade; se as crianças não perguntam, o educador pode inserir a palavra em algum exercício, por exemplo, de modo a poder falar sobre o tema. O professor pode, ainda, planejar uma aula sobre as diferenças entre as pessoas, deixar as crianças falarem primeiro e depois completar, introduzindo a diversidade sexual, caso o tema não tenha surgido. Pode haver, na sala, um aluno ou uma aluna que sofre por se perceber homossexual e, por isso, necessita de esclarecimentos, apoio e amizade.

Se não educarmos as crianças para o respeito à diversidade sexual,
estaremos contribuindo para aumentar o índice de homofobia,
que é a aversão e a violência às pessoas LGBTT. Este trabalho será mais
eficaz se for desenvolvido num contexto de respeito a todo tipo de diversidade: religiosa, cultural, física, de etnia, de gênero, de cor etc.


Sugestões de livros sobre o tema:

Homossexualidade e Educação Sexual: construindo o respeito à diversidade sexual.
Mary Neide Damico Figueiró (Org.). Londrina: UEL, 2007.
[A obra encontra-se a obra em pdf, no site: www.maryneidefigueiro.com.br].

Pessoas homossexuais. Wunibald MÜller. Petrópolis: Vozes, 2000.

Papai, mamãe, sou gay!: um guia para compreender a orientação sexual dos filhos.
Rinna Riesenfeld. São Paulo: Summus, 2002.

Amor entre meninas. Shirley Souza. São Paulo: Panda Books, 2006.

Homofobia & Educação: um desafio ao silêncio.
Tatiana Lionço e Debora Diniz (Orgs.). Brasília: Letras Livres: EdUnB, 2009.

O gato que gostava de cenoura. Rubens Alves. Editora Loyola , 2010.
[Literatura infanto-juvenil]

Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo. Adriana Nunan. Rio de Janeiro: Caravansarai, 2003.
Alguns Filmes:
Orações para Bobby (2009, EUA). Baseado em caso verídico.
Billy Elliot (2000, Inglaterra)
Do que é feita uma família (2001, EUA)
Filadélfia (2003, EUA)

Postado por M. N. D. Figueiró - 01/02/0212
http://www.maryneidefigueiro.com.br/pubjornais.php?id=75 

Políticas Públicas e orientações do MEC sobre educação sexual

O Ministério da Educação propôs os Parâmetros Curriculares de Orientação Sexual. Isto não é novidade. Contudo, precisa-se questionar se houve preparação de todos os educadores para esta prática. E, também, quando houve, se foi adequada.

Ainda hoje, permanece o conflito entre família e escola no que se refere à Educação Sexual e Educação para o Respeito a Diversidade Sexual.

Os conservadores defendem que é função da família. Mas, as famílias a realizam ? Como fazem ? Reforçando o preconceito e a discriminação, ou educando no principio da tolerância e do respeito ? Há educadores conscientes de sua responsabilidade, porém temerosos de enfrentar a reação de pais e gestores educacionais conservadores. Ficam em cima do muro. Por outro lado, há aqueles que enfrentam a situação. Fazem o que acham melhor. Apesar da boa intenção, nem sempre conseguem um trabalho equilibrado e de consenso.

É preciso que os especialistas e gestores de educação se empenhem na adequada formação dos educadores e esclarecimento dos pais. Esta maratona não é fácil, mas necessária e urgente. A mídia esclarecida e construtiva muito pode ajudar, para que a nova mentalidade fundamentada na Cultura de Paz, alcance o maior número de pessoas e com maior rapidez. Embora muitos educadores critiquem as novelas na TV, temos que admitir que, elas quando bem trabalhadas pelos autores, podem apresentar conteúdos educativos que são vistos por grande parte da população de todos os níveis socioculturais.

As orientações do MEC poderão ser consultadas pelos links abaixo e em outros sites disponíveis na internet:

http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/05/15/escola-deve-promover-respeito-a-diversidade-sexual-dizem-especialistas.htm


http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/escola_protege/caderno5.pdf

http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/orientacao.pdf

http://www.scielo.br/pdf/ref/v9n2/8641.pdf