Educação para a Resiliência

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A resiliência é o conceito de dar a volta por cima, que pode evitar sérios problemas futuros, principalmente às crianças de hoje. Resiliência ajuda a suportar adversidades.

Eventualidades, como a tragédia de 11 de setembro que abalou os EUA, são impossíveis de prever. Estar preparado psicologicamente para contratempos é uma ferramenta valiosa. Nos EUA, houve grande trabalho de promoção da resiliência depois da queda das torres.
É na hora do aperto, sob pressão, que se descobrem os recursos que temos para enfrentar a situação! Esta é uma verdade popular que a vida confirma.

"Um indivíduo só se mostra resiliente quando enfrenta a adversidade em sua vida", diz o psiquiatra Haim Grunspun, professor de psicopatologia da Infância na PUC/SP, em seu livro . "Criando Filhos Vitoriosos", que ensina a promover a resiliência

"Os indivíduos continuam com sua personalidade, com seus conflitos e problemas, mas são imunes quando confrontados com a adversidade e se saem bem". Estes são os resilientes - 1/3 da população mundial. Pessoas que, por maior que seja o trauma ou a tragédia experimentada, dão a volta por cima e se mantêm íntegros, sem doença física ou mental.

O bom é saber que resiliência se ensina e se aprende em qualquer idade. Se for na infância, na família e na escola, melhor! Vai ser um adulto mais estruturado, mais seguro.

Orientações de Haim Grunspun:

Cartilha para crianças e adolescentes construírem a resiliência

Há algumas dicas, uma cartilha para crianças e adolescentes construírem a resiliência. Em Nova York, ela foi distribuída nas escolas públicas, após o atentado às torres gêmeas. 

. Enturme-se: converse com amigos e com os pais sobre todos os assuntos. Não tenha medo de expressar sua opinião.

.Relaxe, dê um tempo. O estresse aumenta a tensão no dia-a-dia. Vá devagar com você e com seus amigos.

.Escape da chatice: sua casa/seu quarto deve ser um porto seguro, livre de estresse e ansiedade.

.Mantenha seu programa: muitas oportunidades aparecem e também muitas mudanças. Uma rotina pode ser confortável. Crie a sua.

.Cuide-se: tenha a certeza de que você cuida de si mesmo - física, mental e espiritualmente.

.Controle-se: mesmo no momento da tormenta, agarre-se num pouco do seu controle e poderá dominar melhor a situação e tomar decisões.

.Desembuche, ponha para fora! Ou falando com alguém ou escrevendo, ou desenhando.

.Ajude alguém: resolver algum problema alheio ajuda a manter sua cabeça mais equilibrada.

.Ponha as coisas no lugar:considere que as coisas mudaram e os tempos ruim passaram. Pense em coisas agradáveis que o ajudem a se acalmar.

.Desliga, meu! Tente limitar a quantidade de notícias, quer pela televisão, quer pela Internet, jornais ou revistas. Proteja-se do excesso de informação. 

SUGESTÕES de ATIVIDADES para celebração do dia da paz

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No site do Guaxupaz, a pessoa interessada poderá encontrar subsídios para promover leituras, comentários e acessar material pedagógico. Para facilitar, faremos algumas sugestões:


Aproveite esta data para envolver outras pessoas e estabelecer parcerias dentro de sua comunidade. Organiza um evento, por mais simples que seja, em escolas, igrejas, bibliotecas, empresas, órgãos públicos. Junte-se a pessoas de todo o mundo que praticam e promovem a paz.

Hasteie bandeiras, coloque faixas, cartazes estimulando a convivência pacífica. 

 

JOGOS COOPERATIVOS - DA COMPETIÇÃO PARA A COOPERAÇÃO

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“A paz não é só a ausência de conflito, mas requer uma participação
positiva, dinâmica, em que o diálogo é encorajado e os conflitos
resolvidos em um espírito de compreensão mútua e cooperação.’
                                                     ( Cristina Von )

A partir de estudos iniciados nos anos 70, o pesquisador canadense Terry Orlick propôs o conceito dos jogos cooperativos e desenvolveu o princípio dessas atividades físicas cujos elementos primordiais são:
                        a cooperação, a aceitação, o envolvimento e a diversão
Orlick adaptou as regras dos jogos tradicionais para transformá-los em jogos cooperativos.

Os jogos cooperativos se diferenciam dos demais porque “ neles existe cooperação, que significa agir em conjunto para superar um desafio ou alcançar uma meta, enquanto nos jogos competitivos cada pessoa ou time tenta atingir um objetivo melhor do que o outro." Os jogos cooperativos buscam harmonizar o desenvolvimento da habilidade física com o desenvolvimento das potencialidades pessoais e coletivas das pessoas". (1)

Os Jogos Cooperativos promovem a mudança do paradigma da competição ( individualismo, rivalidade, ataque/defesa, tensão, raiva, frustração, exclusão, insegurança) para a consciência da cooperação ( parceria, união, confiança, alegria, criatividade, interdependência, inclusão, companheirismo, bem-estar.


No Brasil, Fábio Otuzi Brotto é um dos precursores desse novo paradigma.
O Projeto Cooperação, criado em 1992, é a primeira organização brasileira dedicada ao desenvolvimento de serviços e produtos integralmenrte voltados para a promoção da Cooperação e do Sentido de Comum-Unidade em empresas, escolas, órgãos governamentais e não governamentais e em processos de transformação pessoal e grupal.


Lia Diskin (2) alerta sobre a necessidade de deixar claro a todos os participantes de Jogos cooperativos que:

            ''- Não há seleção dos melhores porque cada um é vital para o jogo do
                momento.
             - Não há primeiro nem último lugar porque o lugar que ocupamos é
               é nosso lugar comum.
             - Não há v encedores nem perdedores porque jogamos para VenSer,
               para vir a Ser quem somos plena e essencialmente.
             - Não há adversários porque somos todos parceiros de uma mesma jornada.
             - Não há troféus, medalhas ou outras recompensas porque já ganhamos tudo
               o que precisávamos ter...para saber que a verdadeira conquista é poder
               continuar jogando uns com o outros, ao invés de uns contra os outros ".

Da perspectiva competitiva à consciência colaborativa

No mundo contemporâneo, ser competitivo é condição prevista, desejável e até exigida, não só no mercado de trabalho, como também fora dele, nas rodas sociais, no esporte, no lazer.

Ao lado dessa ânsia competitiva, Célio Nori (4) aponta a outra face da mesma moeda, o consumismo, para competir por melhores empregos e salários, melhor posição social, para obter vantagens, para ver quem consegue acumular mais bens, sejam eles essenciais, supérfluos ou desnecessários. Com isso, verifica-se um processo inverso e crescente de ampliação da desigualdade, gerando exclusão social, violência e degradação em escalas nunca anteriormente alcançadas.

Na opinião da educadora Sílvia Costa, a tradição escolar, anda na contramão, destacando e enaltecendo os primeiros colocados, os “melhores”, num contínuo processo classificatório. Muitos movimentos de renovação da educação tem acontecido e estão abrindo caminho em meio a uma mentalidade tradicional emperrada. Muitas estratégias comuns na prática escolar estimulam a competitividade, o predomínio dos mais fortes e bem sucedidos. A disputa competitiva se reflete também no nível docente e administrativo, em relação a posições e ideologias.

Apesar desse panorama nada animador, os jogos cooperativos ( não só como atividades físicas, mas também como atitudes no jogo da vida ) surgiram como uma ponte de transição entre uma sociedade competitiva e consumista para uma sociedade cooperativa e solidária.


           Assim, a Pedagogia da Cooperação, praticada por meio dos Jogos Cooperativos, não só no esporte como nos “jogos” da vida cotidiana, constitue uma tecnologia de Cultura de Paz e de Educação de Valores que tem se expandido nas últimas décadas, com resultados animadores.

 

(1) Vamos Ubuntar?Um convite para Cultivar a Paz. Lia Diskin.Brasília: UNESCO/Fundação Vale/ Fundação Palas Athena, 2008. (disponível para download em
www.palasathena.org.br)
(2) “A Paz Como se faz”. Palas Athena/ Governo Estado RJ/ UNESCO (disponível para
Download em www. palasathena.org.br).
(3) “ Jogos Cooperativos nas Organizações”. Projeto Cooperação/ SESC São Paulo.


A VISÃO DOS JOGOS COOPERATIVOS
Fábio O. Brotto (*)

Todo jogo tem uma intenção que ultrapassa os limites do campo e da quadra, tocando vários outros espaços da vida humana, tanto no jogo como na Vida estamos permanentemente sendo desafiados a solucionar problemas, harmonizar conflitos e realizar objetivos.

O desafio assumido pelos Jogos Cooperativos é ajudar a compreender que não existem problemas ruins, conflitos a serem evitados ou objetivos impossíveis. Quando ousamos compartilhar o Jogo da Vida de uma maneira Cooperativa, somos capazes de perceber os problemas, conflitos e objetivos impossíveis como oportunidades para descobrir nosso Jeito de Ser e InterSer no mundo.

Estamos diante de um contexto que nos desafia a buscar coletivamente, cada um fazendo sua parte, soluções criativas e cooperativas para gerar bem-estar para todos. È vital que superemos o paradigma do individualismo e da competição exacerbada, porque ninguém joga ou vive sozinho. Bem como ninguém joga ou vive tão bem, em posição e competição contra outros, como se jogasse ou vivesse em sinergia e cooperação com todos.

Jogos Cooperativos propõe um exercício de ampliação da Visão sobre a realidade da vida, refletida no Jogo.

Vivemos de acordo com nosso Jeito de Ver a Vida .

Jeito de Ver-e-viver o Jogo da Vida

 

VER / VIVER

      OMISSÃO (Individualismo)              COOPERAÇÃO (Encontro)   

COMPETIÇÃO(Confronto)

Visão do    jogo

.Insuficiência
.É impossível

.Suficiência
.Possível para todos

.Possível só para um

Objetivo 

.Ganhar sozinho  .Ganhar...juntos 
.Ganhar...do outro

Relação

. “Cada um na sua”
. Indiferença

.Parceria
.Confiança 

 .Rivalidade .Desconfiança

Ação

. Jogar sozinho   . Jogar COM  . Jogar CONTRA

Resultado

. Ilusão de vitória   . Sucesso Compartilhado
.Bem-estar pessoal e grupal
. Vitória às custas dos outros

 Sentimentos  

. Solidão
. Realização para poucos

. Alegria e realização para todos  . Realização para poucos

 

Enxergando o mundo como um ambiente de exclusão, onde não há o bastante para todos e todos querem o bastante para si mesmo, haverá uma boa probabilidade de agir individualmente e em oposição aos outros. Vou jogar CONTRA para tentar GANHAR SOZINHO.

De outro modo, se minha percepção da situação é de um contexto de inclusão em que há o suficiente para todos, desde que cada um compartilhe o que têm, provavelmente minhas ações serão de parceria e confiança. Assim, Jogo COM o outro para GANHARMOS JUNTOS.

(*) “ Jogos Cooperativos nas Organizações”. Projeto Cooperação/ SESC São Paulo.


FONTES DE PESQUISA E RELAÇÃO DE JOGOS E ATIVIDADES COOPERATIVAS

Muitas obras já foram publicadas explicando a metodologia dos jogos cooperativos e relacionando atividades para todas as faixas etárias e para os variados segmentos a serem destinados: escolas, empresas, grupos de transformação pessoal etc.

O Projeto Cooperação elaborou extensa bibliografia para quem quiser mergulhar no universo da cooperação. Acesse:

http://universo10.files.wordpress.com/2010/10/fontes-para-a-cooperae280a1c3a6o.pdf

                 

Lançamento

- Jogos Cooperativos – o jogo e o esporte como um exercício de convivência, de Fábio Brotto, em nova edição revista e ampliada, publicada pela Editora Palas Athena, estará disponível a partir do mês de agosto/2013.

Esta obra é referência nacional no escopo da cooperação como ação lúdico-cidadã. O propósito do autor é “incentivar a construção consciente de uma pedagogia, intencionalmente dirigida ao exercício da convivência e da prática da cooperação para a realização, não de um mundo melhor, mas do melhor mundo que pudermos realizar juntos!”

 

RELAÇÃO DE JOGOS E ATIVIDADES COOPERATIVAS

- 210 Novos Jogos Cooperativos para todas as idades, de Reinaldo Soler, publicado pela editora Sprint. O autor tem outras obras publicadas pela mesma editora.

Relação de atividades disponíveis na internet

Site do Projeto Cooperação:
http://www.projetocooperacao.com.br/com-partilhando/jogos-e-atividades-cooperativas/


Oficina de jogos Cooperativos - CDCC
http://www.cdcc.sc.usp.br/CESCAR/Conteudos/26-05-07/Oficina_de_Jogos_Cooperativos.pdf
Curso de Extensão e Curso de especialização em Educação Ambiental. OFICINA DE JOGOS COOPERATIVOS. “DESENVOLVENDO A CULTURA DA ...

Paz como se faz?- Lia Diskin e Laura G. Roizman . Caderno de Atividades/Jogos.
http://guaxupaz.com.br/web/index.php/cultura-de-paz-2/educacao-para-paz/150-cartilha-paz-como-se-faz

 

Da disciplina coercitiva à disciplina positiva e transformadora

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 Abordagens da disciplina restaurativa

Os problemas de indisciplina nas escolas e outros ambientes sociais crescem em cascata e o desrespeito em seus vários níveis chega à violência verbal, psicológica e até física. Os fatos que antes chocavam, ao serem colocados nos noticiários, vão se tornando comuns, banais e só os mais abusivos ou os que estão mais ao alcance dos repórteres vão a público.  Enquanto isso, os profissionais de educação e de outras áreas similares, se angustiam e se desestimulam ante a ineficácia dos sistemas de contenção da indisciplina e da rebeldia. Uns clamam por mais exigência, mais linha dura, outros acreditam  que há outras saídas melhores, mas onde encontrá-las ? Alguns, até encontram, mas será que andorinha sozinha  pode enfrentar o verão ?

Nesse momento  em que,  limite, disciplina, comportamento,  são  assuntos  de preocupação de  todo profissional da educação, além de outros segmentos da sociedade, estar atualizado com  modernas  abordagens  no trato desses  temas na escola, é de vital importância.

Seria inadmissível  o desconhecimento  dos avanços em relação a esta questão, justamente  por parte de educadores. Este tema tão em moda,  deve ser enfrentado com lucidez, ciência, pesquisas e métodos avançados que já provaram sua eficácia pelo mundo, como a Justiça e os Círculos Restaurativos, a Resolução Pacífica de Conflitos, a Comunicação Não-Violenta,  a Pedagogia da Cooperação.

 A educadora/psicanalista e conciliadora no Tribunal de Justiça de São Paulo, Suely Costa, tem se dedicado à divulgação dessas tecnologias educacionais e levado a iniciação teórico-prática aos profissionais da educação e outras áreas. 

Em entrevista ao Guaxupaz, Suely resume algumas abordagens.

Entrevista  com Suely  Costa

1 - Por que o método punitivo não funciona mais? Ou nunca funcionou ?

A punição tradicional  o que faz é reprimir  temporariamente, mas talvez não ensine  autodisciplina conscientemente, nem neste momento e nem a longo prazo.  A criança pode obedecer as regras  caso se sinta vigiada, mas talvez não aprenda o significado que está por detrás delas. Isso gera raiva, agora com o foco em quem a  puniu. Por que fazer  o aluno  primeiramente sentir-se pior, o que o faz  questionar-se  sobre os motivos,  o tipo de punição,  sua intensidade . E, sem respostas,  ele desconta  essa raiva em colegas, na família, etc. Assim, surge  uma resistência à colaboração escolar,  que fica fortalecida, a cada punição.

2-  O tradicional recurso de chamar os pais na escola para discutir problemas dos alunos, em geral, tem se mostrado ineficaz. O que precisa ser feito nesse sentido?

Torna-se ineficaz, porque chamam  os pais só depois do fato o ocorrido, para que eles  sozinhos,  possam resolver a questão da indisciplina do filho.  Se esses pais soubessem resolver, claro que já teriam resolvido. Estão perdidos e sozinhos.   

Os pais devem estar na escola  sempre e antes, preventivamente, quando a escola vai  conversar com eles, conhecê-los, mostrar , explanar  sobre  seus conceitos educativos, inclusive os disciplinares. Vai ensinar, reforçar os valores  com os quais trabalha  e que seria isso que os pais também fariam em casa. Os pais devem  sair com recursos para que,  juntamente com a escola, trabalhem os pontos fracos  da educação doméstica, que poderão levar o aluno ao mau comportamento. Planejamento de um trabalho em conjunto e antecipado.

 3 – A suspensão e transferência compulsória são os recursos mais drásticos para os problemas de disciplina e, ainda utilizados na maioria das escolas. Quais as consequências disso e quais as alternativas?

Deixar o aluno em casa por três dias, vai fazer com que ele volte  já com uma outra forma de pensar e de comportar-se?  Esse é um pensamento mágico. Nesses casos, perdeu-se a oportunidade de realmente educar esse comportamento inadequado. Isso se faz, conhecendo  suas causas, as necessidades que o motivaram, mostrando na prática ao infrator, as consequências desse seu ato, fazendo-o  sensibilizar-se  e responsabilizar-se  por ele e de alguma forma restaurá-lo, além de obter  seu comprometimento por novas atitudes. Percebe-se aqui, que  o conflito é uma oportunidade, uma janela pedagógica, a exigir criatividade e flexibilidade nas soluções contra as   receitas prontas antigas. Quanto à expulsão, seria passar para novos grupos, uma tarefa que originariamente era de outro, mas  para que este não veja diariamente a personificação de seu fracasso e incompetência, prefere  o afastamento. Alunos  com comportamento difícil,  para o bom educador,  são troféus a conquistar.

4 – No que se baseia a Disciplina Restaurativa?

Baseia-se nos conceitos da Justiça Restaurativa. O dano foi para toda a comunidade escolar, não só para uma pessoa. O importante não é punir. O importante é educar e para isso o importante é fazer  o infrator conscientizar-se, sensibilizar-se,  responsabilizar-se pelo ato cometido e até onde ele se expandiu . Expor seus motivos e necessidades, “empatizar-se” com os que sofreram algum tipo de dano  ao ouvi-los. Comprometer-se, envolver-se, dar satisfações  sobre a solução e restaurar de alguma forma o dano cometido. Pode acontecer através de técnicas pedagógicas que contemplem estas preocupações  educativas, ou através do trabalho de um grupo em Processos Circulares,  que contam com  a participação dos pais dos envolvidos, membros da escola e da comunidade, para a  resolução  e acompanhamento posterior desse conflito.  

5- Como caminha a Pedagogia da Resolução de Conflitos no Brasil ?  Quais  segmentos estão se empenhando ?

Infelizmente,  o processo está muito lento.  Quem  viveu  somente dentro da  Disciplina Punitiva  e nunca ouviu falar nesta, a Restaurativa, nem acredita que possam haver novos recursos,  modelos modernos  e  eficazes  de se tratar o tema punição. Os chamados Programas de Educação para a Paz e em Valores Humanos, que atendem  ao Programa  de Cultura de Paz da UNESCO, são os precursores e os que se empenham  com este modelo disciplinar. São métodos de educação preventiva. Também a Justiça brasileira, já tem como procedimentos, as Conciliações e Mediações, que podem ser utilizadas no lugar dos processos  tradicionais com uma única decisão e que ainda contam  com a economia de tempo, estresse e custos.

 6- É possível, um único educador de uma entidade, praticar a disciplina restaurativa?

Creio que não, pois ele teria  que ignorar, ou agir de forma completamente adversa ao  estatuto vigente na escola, com procedimentos inusitados  para esta. Por outro lado ele só poderia instalar um círculo restaurativo, com a presença do Coordenador Pedagógico.   Só poderia desenvolver todo o preparo com os envolvidos e seus pais,  com outros alunos e seus pais  e outros convidados, com a autorização da direção da escola, mesmo porque talvez tivesse que usar um espaço físico dessa instituição. Implantar  novos conceitos  disciplinares, substituindo os  até agora conhecidos e aceitos, sem que todos os integrantes da escola  participem , tanto desse entendimento quanto das ações  necessárias,   é totalmente inviável.  Além da aceitação da  nova ideia, deve haver uma capacitação a todos os integrantes da escola, para que haja uma única linguagem por parte de todos a respeito do assunto.  Porém,  o professor interessado  em introduzir em sua escola este novo paradigma, pode começar por falar, levar artigos sobre o tema, divulgar os conceitos  para seus pares e  direção, nas oportunidades que julgar conveniente.  

7- Como e onde os educadores,  órgãos de ensino e de ressocialização interessados na aprendizagem da Disciplina Restaurativa devem recorrer?

Devem recorrer às obras já existentes, sobre Justiça  e Disciplina Restaurativa,  Mediação e Conciliação Escolar, cursos de capacitação além da vontade e empenho nesta implantação. É o querer e acreditar.

 

Suely Costa - Pedagoga, Psicanalista, Arte educadora, Arte terapeuta. Consultora na área do Desenvolvimento Humano, Coach Pessoal, atua como Conciliadora e Mediadora na solução consensual de conflitos, Divulgadora de Programas de Educação para a Paz e em Valores Humanos Universais.                                                      Contato:     O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.     -    Telefax: (11) 2295-4574

Fontes de Informações e Estudo sobre Justiça Restaurativa

- O Projeto Justiça 21 – Instituindo Práticas Restaurativas dispõe de um Kit de materiais didáticos e operacionais desenvolvidos com o objetivo de “ promover as práticas da Justiça Restaurativa como estratégia de pacificação de violências envolvendo crianças e adolescentes.”

Sem propor qualquer padronização, tem intenção de socializar subsídios e informações aos interessados em divulgar e implementar as práticas restaurativas em sua comunidade ou área de atuação profissional.

Informações para adquirir o kit e outros atendimentos poderão ser obtidas pelo site:

www.justica21.org.br e e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

2- O Centro de Estudos Filosóficos Palas Athena (SP) desenvolve ações de divulgação e formação em Justiça Restaurativa e tem obras específicas publicadas:

-Trocando as Lentes- Um novo foco sobre o crime e a Justiça Restaurativa/Howard Zehr; tradução Tônia Van Acker.-São Paulo: Palas Athena, 2008.

- Processos Circulares/Kay Pranis; tradução de Tônia Van Acker: São Paulo, 2010.

- Disciplina Restaurativa para Escolas/Lorraine Stutzman Amstutz. São Paulo:Palas Athena, 2012 .

www.palasathena.org.br , e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , tel: (11)3266-6188

3- Formação em Fundamentos da Justiça Restaurativa ESPERE (Escola de Perdão e Reconciliação) - CDHEP- Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo (SP) .

Esta formação de 40 horas está fundamentada na Metodologia das Escolas de Perdão e Reconciliação – ESPERE desenvolvida pela Fundación para la Reconciliação em Bogotá, Colômbia. Forma para as possibilidades do perdão e da reconciliação, aprimorando as habilidades necessárias para uma convivência mais humana e menos violenta.

- Pelo site do CDHEP poderão ser obtidas outras informações e indicações para estudo do tema.

www.cdhep.org.br , e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , telefone (11) 5511 97 62


4- Aprender a educar para a paz – instrumental para a capacitação de educadores em educação para a paz/ Marcelo Rezende Guimarães. Goiás, Goiânia – GO:
Editora Rede da Paz.

 

Cartilha: Paz, como se faz?

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Essa cartilha, escrita por Lia Diskin e Laura Gorresio Roizman, tem como principal objetivo o desenvolvimento da criatividade, do diálogo e da aceitação do outro como estratégia educativa para a construção de uma Cultura de Paz. Para transformar os valores da Cultura de Paz em realidade na vida cotidiana, as autoras apostam na educação para criar e incentivar processos inclusivos na juventude.

A cartilha apresenta textos teóricos baseados nos quatro pilares da Educação do futuro - aprender a conhecer, a fazer, a viver junto e a ser - e nos seis princípios do Manifesto 2000 da UNESCO - respeitar a vida, ser generoso, ouvir para compreender, redescobrir a solidariedade, rejeitar a violência e preservar o planeta.

Sugere também muitas atividades voltadas principalmente para o público jovem,como jogos, dinâmicas de grupo, espaço de leituras, artes manuais, discussão sobre os meios de comunicação e outros.

Download:

http://www.palasathena.org.br/cont_pedagogico_detalhe.php?pedagogico_id=6