Diretrizes nacionais orientarão a educação de jovens em medidas socioeducativas

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Hoje, existem cerca de vinte mil adolescentes cumprindo medidas socioeducativas em todo o país.

No início de 2014 começou a ser elaborado o documento com as diretrizes nacionais que devem orientar a educação de jovens nesta situação. A apresentação da primeira versão do documento que proporá as questões gerais, em âmbito nacional, está prevista para janeiro de 2015.

A Promenino Fundação Telefônica entrevistou o conselheiro Luiz Roberto Alves, que esta coordenando o processo de elaboração de diretrizes para a educação de jovens em medidas socioeducativas, que esclareceu os mais diversos aspectos da questão.

Leia a matéria acessando o link:

www.promenino.org.br/noticias/reportagens/diretrizes-nacionais-devem-orientar-educacao-de-jovens-em-medidas-socioeducativas?utm_source=emailmanager&utm_medium=email&utm_campaign=Boletim_93

 

Saiba mais sobre o tema:

Medidas socioeducativas: contribuições para a prática - https://www.seds.mg.gov.br/images/seds_docs/Suase/versaofinal_livroseds.pdf

 

Meu filho é homossexual. E agora?

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Entrevista com Edith Modesto


Amor de mãe 

No mundo em que cada vez mais se fala em combate ao preconceito e à intolerância, qual seria sua reação ao saber que seu filho é homossexual? Falo isso porque o assunto é bem amplo, assim como demais infinitos temas que envolvem relacionamentos familiares. E foi para ajudar nessa questão,que a Jornalista Arminda Augusto, editora – executiva do jornal A Tribuna (Santos – SP), colaborou com a AT Revista nesta semana e fez uma entrevista brilhante com a psicanalista Edith Modesto. Após viver essa experiência, Edith Modesto escreveu cinco livros e fundou o Grupo de Pais de Homossexuais, em São Paulo. Também garanto que quem não está vivendo uma história de homossexualidade na família, também terá muito a aprender com o texto, recheado de conteúdo que pode ser adaptado e muito bem aproveitado nas mais diversas situações. Não deixe de ler!

(apresentação da editora de AT Revista, Cláudia Duarte Cunha)


Entrevista feita por Arminda Augusto


Pais e mães se desesperam quando precisam enfrentar não apenas a sociedade, mas os próprios medos e frustrações. Edith Modesto mostra que a caminhada é longa, mas sempre vale a pena.

“FIQUEI DESESPERADA”

Esse foi o primeiro sentimento da psicanalista Edith Modesto quando descobriu que o filho era homossexual. O aprendizado nesse novo universo fez dela uma especialista no assunto.

A primeira coisa que se aprende depois de uma conversa com Edith Modesto é que pais e mães de homossexuais nunca estão sozinhos. Ela dá a dimensão exata de como aflição, desespero,pânico e muita frustração podem ser sentimentos comuns - e perfeitamente admissíveis - naquele momento da vida em que o filho revela sua condição de homossexual. Experiência não falta para lidar com esses pais de primeira viagem, porque ela mesma, há 22 anos, enfrentou os mesmos medos quando o sétimo filho, Marcello, resolveu contar à família que era homossexual. O medo do desconhecido fez essa psicanalista e professora universitária, mestre e doutora em Semiótica, correr contra o tempo para entender tudo sobre esse universo. Escreveu cinco livros sobre o tema e fundou uma ONG, o Grupo de Pais de Homossexuais (www.gph.org.br). Nesse fórum virtual, mantém contato com pais, mães e jovens de todo o País,esclarecendo suas dúvidas e dividindo com eles a própria experiência.

EXPERIÊNCIA

A pessoa nasce homossexual?

Não vou afirmar que nasce homossexual. Cientificamente, nós não sabemos ainda como uma pessoa é homossexual, da mesma maneira como não sabemos o motivo que faz com que uma pessoa seja heterossexual. Então, não posso afirmar nada. Existem estudos genéticos, que estão bem adiantados no mundo, sobre o cérebro, sobre os genes. Há, inclusive, um estudo muito sério sobre gêmeos univitelinos, que apontam que, quando um é homossexual, há mais de 70% de chance de o outro também ser. Só que nem isso foi uma prova suficiente, do ponto de vista científico, para garantir que a homossexualidade é uma questão genética.

Sua história pessoal deve ser a de muitos pais que descobrem, na adolescência do filho, que ele é homossexual. Qual foi o primeiro sentimento que essa descoberta trouxe?

Eu simplesmente fiquei apavorada, porque naquela época não se falava abertamente sobre isso. Já era uma professora universitária, mas não sabia nada sobre o assunto. Sabia que os homossexuais existiam, mas nunca tinha pensado na questão. Era algo muito longe de mim.


E o que disse para ele nesse momento?

Eu fiquei embasbacada, desesperada. Fiz um livro para conseguir aceitar o meu filho. Fiquei escrevendo por três anos o Vidas em Arco-Íris. Entrevistei 89 homossexuais, homens
e mulheres, de 14 a 62 anos. Escrevi esse livro para mim. E por quê? Porque eu pensei assim: já que meu filho é homossexual, eu quero saber quem são essas pessoas. Na época, não tinha essa consciência, mas hoje, olhando para o passado, vejo que escrevi esse livro para me ajudar a aceitar o meu filho.

E ajudou?

Muito! Porque eu fiquei conhecendo esse universo. Eu já era professora universitária nessa época, de certo dava aula para muitos homossexuais, mas agora vejo que não sabia nada sobre eles. O livro foi o início de tudo, inclusive do grupo de pais que eu criei. Porque eu queria muito falar com outros pais sobre isso. Eu tinha a ideia de que, conversando com uma mãe como eu, me sentiria melhor. Mas cadê a mãe? Não achava. Aí descobri um fórum na internet só de homossexuais e passei a acompanhar. Não falava nada, só lia o que eles estavam dizendo. Depois de vários meses foi que me apresentei e todos foram muito simpáticos. Comecei a aprender com eles. Aí tive a ideia do grupo e as mães desses rapazes foram as primeiras a fazer parte. Hoje, elas são minhas amigas e ainda estão no grupo.

“A mãe tem que dizer para o filho que precisa dele nesse processo”

Entre o impacto de receber a notícia e efetivamente aceitar os fatos dentro de você, quanto tempos e passou?

O processo de aceitação é muito lento, e é mais lento para algumas mães do que para outras. E esse
tempo não tem nada a ver com a cultura da mãe, o nível socioeconômico, o amor que tem pelo filho, nada disso. Não tem regra. Eu conheço mães muito cultas, muito preparadas, que têm uma enorme dificuldade em aceitar o filho homossexual. Então, vai da pessoa, da forma como foi criada, dos valores que recebeu.

Obras de Edith Modesto sobre diversidade sexual

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 "Este livro comprova que o trabalho sério e inteligente de uma formiguinha pode resultar em uma obra-prima: Vidas em arco-íris é um excelente flash do dia-a-dia e do que pensam os homossexuais do Brasil contemporâneo. Leitura atraente que mostra todas as cores e nuances do universo GLBT."

 

 

 

 

 

O trabalho que Edith Modesto vem desenvolvendo com pais e mães de homossexuais por meio do GPH (Grupo de Pais de Homossexuais) e, além de pioneiro no Brasil, altamente inovador. Embora similar na proposta ao grupo americano PFLAG, o grupo que Edith fundou e coordena exibe a afetividade e o calor humano próprios de sua alma brasileira.
Esse livro vem agora dar corpo (e alma) à extensa experiência e ao profundo conhecimento que Edith acumulou ao longos dos anos, resultado tanto de sua jornada pessoal quanto de sua atuação direta com centenas de pais e homossexuais de todas as idades, assim como do contato com profissionais de auto-ajuda, educadores e religiosos.

 

 

 

Em "Entre Mulheres", Edith Modesto dá voz às mulheres que amam mulheres, para que elas mesmas possam dizer quem são, o que sentem, o que pensam, por quais dificuldades passam por se assumirem "diferentes", numa cultura ainda tão machista como a brasileira.
Livro recomendado para mulheres que estão descobrindo sua sexualidade, para quem quer conhecer mais sobre suas iguais, para seus familiares e amigos e para estudiosos da diversidade sexual e de gênero.

Educação Sexual: como trabalhar o respeito à diversidade sexual

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Drª Mary Neide Damico- psicóloga

Sou docente na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e, desde 1995, desenvolvo um trabalho de formação de educadores sexuais, como Extensão Universitária. Entre os inúmeros temas tratados, o que diz respeito à diversidade sexual tem se mostrado como um dos temas que mais necessita ser debatido, pois os educadores apresentam muitas dúvidas sobre o assunto e sobre como abordá-lo com os alunos. É compreensível que os profissionais assim se encontrem, pois nossa cultura tem tratado este assunto com muitos tabus, preconceitos e, também, silêncio, ou seja, não se fala a respeito na escola e nem em casa, com os filhos. Inclusive as universidades, nas suas variadas Licenciaturas e, de modo especial, na de Pedagogia, omitem-se, pois por não abordam temas relacionados com a sexualidade.

Primeiramente, é fundamental que os educadores tenham oportunidade de rever o que sabem a respeito da homossexualidade, por meio de leituras, de bons filmes que tratem do tema e de debates em grupos formativos de Educação Sexual. Concomitantemente, precisam rever o que sentem a respeito para ressignificar seus conhecimentos e sentimentos, o que significa submeter-se a um processo de reeducação sexual. Caso os educadores percebam que têm preconceito, o primeiro passo é admitirem tal fato, pois só assim poderão reconhecer suas dificuldades de entender e/ou aceitar a diversidade sexual. Negar o preconceito só dificultaria a sua superação.

Muitas pessoas usam o termo: opção sexual,para se referir ao homossexual masculino ou feminino, mas este termo deve ser banido de nossa fala, pois não é uma opção, já que ninguém escolhe ser ou não ser homossexual. Denominamos de orientação sexual a atração sexual ou afetivo-sexual que uma pessoa sente por outra; três podem ser essas orientações: homossexual, heterossexual e bissexual. A orientação sexual não é instintiva; ela é multideterminada, uma vez que recebe influência tanto do meio familiar, quanto da cultura, da biologia e da história de vida de cada um.

Além da homossexualidade, a diversidade sexual abrange travestilidade e transexualidade, por isto falamos em pessoas LGBTT – lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Ser homossexual, travesti ou transexual faz parte da personalidade e a pessoa deve ser respeitada por ser como é. Devido ao pouco espaço deste texto, abordarei apenas a homossexualidade.

É importante que os educadores conversem sobre o assunto com seus alunos, sejam eles crianças, adolescentes ou jovens, com o objetivo de esclarecer que a homossexualidade não é doença e que, tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1984, como o Conselho Federal de Medicina, em 1990, proibiram a classificação da homossexualidade como doença, desvio, ou distúrbio.

Comumente, há preocupação, entre os pais e os professores, de que o fato de se falar sobre a homossexualidade, por exemplo, possa levar a criança a se tornar homossexual. Isto de forma alguma se dá, porque sentir atração e, sobretudo, apaixonar-se por outra pessoa é algo inerente a cada um, que não segue ditames externos; é uma questão íntima que envolve sentimentos.

É necessário que, desde pequena, a criança compreenda, com naturalidade e serenidade, que as pessoas são diferentes em muitos quesitos, entre eles, o sexual. Uma professora pode aproveitar uma matéria de jornal, por exemplo, que narra uma violência praticada contra um homossexual ou que narra que um casal homossexual efetivou a união civil, para ler com a classe e explicar sem preconceitos. É muito bom dar espaço para os alunos conversarem sobre o assunto, para falarem o que sabem e o que pensam. O educador precisa saber ouvir.
Se uma criança pequena pergunta o que é gay, deve-se explicar a verdade; se as crianças não perguntam, o educador pode inserir a palavra em algum exercício, por exemplo, de modo a poder falar sobre o tema. O professor pode, ainda, planejar uma aula sobre as diferenças entre as pessoas, deixar as crianças falarem primeiro e depois completar, introduzindo a diversidade sexual, caso o tema não tenha surgido. Pode haver, na sala, um aluno ou uma aluna que sofre por se perceber homossexual e, por isso, necessita de esclarecimentos, apoio e amizade.

Se não educarmos as crianças para o respeito à diversidade sexual,
estaremos contribuindo para aumentar o índice de homofobia,
que é a aversão e a violência às pessoas LGBTT. Este trabalho será mais
eficaz se for desenvolvido num contexto de respeito a todo tipo de diversidade: religiosa, cultural, física, de etnia, de gênero, de cor etc.


Sugestões de livros sobre o tema:

Homossexualidade e Educação Sexual: construindo o respeito à diversidade sexual.
Mary Neide Damico Figueiró (Org.). Londrina: UEL, 2007.
[A obra encontra-se a obra em pdf, no site: www.maryneidefigueiro.com.br].

Pessoas homossexuais. Wunibald MÜller. Petrópolis: Vozes, 2000.

Papai, mamãe, sou gay!: um guia para compreender a orientação sexual dos filhos.
Rinna Riesenfeld. São Paulo: Summus, 2002.

Amor entre meninas. Shirley Souza. São Paulo: Panda Books, 2006.

Homofobia & Educação: um desafio ao silêncio.
Tatiana Lionço e Debora Diniz (Orgs.). Brasília: Letras Livres: EdUnB, 2009.

O gato que gostava de cenoura. Rubens Alves. Editora Loyola , 2010.
[Literatura infanto-juvenil]

Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo. Adriana Nunan. Rio de Janeiro: Caravansarai, 2003.
Alguns Filmes:
Orações para Bobby (2009, EUA). Baseado em caso verídico.
Billy Elliot (2000, Inglaterra)
Do que é feita uma família (2001, EUA)
Filadélfia (2003, EUA)

Postado por M. N. D. Figueiró - 01/02/0212
http://www.maryneidefigueiro.com.br/pubjornais.php?id=75 

Políticas Públicas e orientações do MEC sobre educação sexual

O Ministério da Educação propôs os Parâmetros Curriculares de Orientação Sexual. Isto não é novidade. Contudo, precisa-se questionar se houve preparação de todos os educadores para esta prática. E, também, quando houve, se foi adequada.

Ainda hoje, permanece o conflito entre família e escola no que se refere à Educação Sexual e Educação para o Respeito a Diversidade Sexual.

Os conservadores defendem que é função da família. Mas, as famílias a realizam ? Como fazem ? Reforçando o preconceito e a discriminação, ou educando no principio da tolerância e do respeito ? Há educadores conscientes de sua responsabilidade, porém temerosos de enfrentar a reação de pais e gestores educacionais conservadores. Ficam em cima do muro. Por outro lado, há aqueles que enfrentam a situação. Fazem o que acham melhor. Apesar da boa intenção, nem sempre conseguem um trabalho equilibrado e de consenso.

É preciso que os especialistas e gestores de educação se empenhem na adequada formação dos educadores e esclarecimento dos pais. Esta maratona não é fácil, mas necessária e urgente. A mídia esclarecida e construtiva muito pode ajudar, para que a nova mentalidade fundamentada na Cultura de Paz, alcance o maior número de pessoas e com maior rapidez. Embora muitos educadores critiquem as novelas na TV, temos que admitir que, elas quando bem trabalhadas pelos autores, podem apresentar conteúdos educativos que são vistos por grande parte da população de todos os níveis socioculturais.

As orientações do MEC poderão ser consultadas pelos links abaixo e em outros sites disponíveis na internet:

http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/05/15/escola-deve-promover-respeito-a-diversidade-sexual-dizem-especialistas.htm


http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/escola_protege/caderno5.pdf

http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/orientacao.pdf

http://www.scielo.br/pdf/ref/v9n2/8641.pdf