DIA DA MULHER – PARA QUÊ? O QUE FAZER ? COMO FAZER?

on .

A Declaração dos Direitos Humanos, documento proclamado por todas as nações integrantes da ONU, garante a todo homem os direitos e liberdades estabelecidas na referida Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição.

Porém, apesar do avanço da civilização em muitos aspectos, ainda prevalecem discriminações de toda ordem, mesmo em países de primeiro mundo. A discriminação da mulher varia de cultura para cultura, de forma mais sutil até as mais agressivas e abomináveis. No decorrer do tempo, a luta pelo respeito aos direitos da mulher foi ganhando força, em diversas partes do mundo.

No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de Nova Iorque fizeram greve, reivindicando melhores condições de trabalho. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica. A repressão da manifestação foi tão violenta a ponto de incendiarem a fábrica e cerca de 130 tecelãs terem morrido carbonizadas.

O impacto dessa violência contra as Mulheres repercutiu no mundo e em 1910, em uma Conferência na Dinamarca, o dia 8 de março foi declarado Dia Internacional da Mulher, para homenagear as operárias mortas naquela fábrica, em 1857.

Em 1975, a ONU declarou oficialmente a data de 8 de março como Dia Internacional da Mulher, para que se recupere, a cada ano, a lembrança das operárias que se tornaram o exemplo da luta pelos direitos das mulheres e igualdade de gênero.

Outros fatos notórios, no decorrer do tempo, marcaram a luta das mulheres por igualdade de direitos, segurança, melhores condições de vida. Exemplos não faltam: Irena Sendler - a salvadora de crianças judias, Mina Ahadi – líder do Comitê Internacional contra o Apedrejamento, a modelo somali Waris Dirie - defensora da luta pela erradicação da prática de mutilação genital feminina, Berta Lutz, entre tantas outras ...

Para que foi criado o Dia da Mulher ?

O Dia Internacional da Mulher foi criado para lembrar, a cada ano, das mulheres que perderam a vida lutando, das mulheres vitimizadas pela violência de todos os tipos e daquelas que continuam morrendo aos poucos, daquelas que sobrevivem como sombras do homem, sombras submissas, dependentes e silenciosas. Por outro lado para lembrar a ação corajosa e abnegada daquelas que se empenham na melhoria da condição de vida das mulheres.

Dia Internacional da Mulher é dia de conscientização, de impulso à mobilização cidadã. Dia de levantar a voz para despertar da acomodação, de arregaçar as mangas, de se dar as mãos – mulheres e homens, população e poder público, fiéis de todas as religiões que se fundamentam na fraternidade, respeito, justiça.

Dia de mobilizar profissionais acadêmicos, jurídicos, empresários, gestores públicos, lideranças comunitárias para investir prioritariamente, em projetos e ações que propiciem, eficazmente, a construção de uma sociedade mais justa, ética, solidária e pacífica para mulheres e homens, independentemente, de gênero e tendência sexual.

Nada impede que neste dia se homenageie as mulheres com demonstrações de carinho e gratidão, com flores e festas. Mas há muito mais por fazer. A tarefa mais difícil e que demanda empenho e persistência.

O que fazer?

Há muito por fazer, desde o âmbito familiar, profissional e social. E todos eles perpassam pela necessidade de educação e conscientização sobre respeito, compreensão, competência para o diálogo, comunicação não-violenta, ética, espírito de justiça. A reformulação de valores machistas pela igualdade de direitos, a cooperação e solidariedade entre homens e mulheres deve ser objeto da educação, desde a fase infantil. O fortalecimento da mulher para sair da condição de vitimização e dependência é outro grande enfrentamento a ser feito.

Conscientizar os gestores públicos, as mulheres e homens em geral sobre a importância da construção de políticas públicas nacionais, estaduais e municipais que promovam a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, é outra prioridade .

Como fazer?

Primeiramente, para que haja participação é preciso que haja informação. Inclusive informação para quebrar tabus e preconceitos contra as mulheres cidadãs, antenadas com seu tempo, sem omissão de seus deveres familiares. “Feministas” se tornou termo pejorativo, com ranço de radicalismo. Concebemos a mulher do Século XXI, como uma mulher em emancipação, que está consciente de seu valor e do seu papel na sociedade e na família. A mulher que constrói sua força pelo poder moral, de liderança, de mediação de conflitos, de efetiva colaboradora do homem, sem competitismo medíocre.

Para este processo de informação da mulher, em todas as idades, já existe uma variedade de materiais pedagógicos e formativos elaborados por organizações diversas, Conselhos de Direitos da Mulher, a OAB Mulher, organizações de Direitos Humanos e Cultura de Paz.
Os Conselhos de Direitos das Mulheres têm por objetivo desenvolver ações que promovam a igualdade de oportunidades de direitos entre Homens e Mulheres e assegurar à população feminina o exercício de seus direitos e deveres. Procure conhecer o Conselho de Direitos da Mulher de sua cidade .

A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), com status de Ministério, criada em 2003, inaugurou um novo ciclo, em que as políticas para as mulheres devem ser implementadas por todo o governo e não apenas por uma área específica. A SPM concentra informações, orientações, documentos, legislações, noticiário das mais diversas regiões do país para promover o desenvolvimento pessoal, social e político das mulheres. Comece consultando o site www.sepm.gov.br e você verá quanta coisa para se conhecer e fazer...

Cultura de Paz

Direitos Humanos e Igualdade Entre os Gêneros (Homem/Mulher) são eixos temáticos da Cultura de Paz proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU). Assim, o Movimento de Cultura de Paz de Guaxupé – Guaxupaz, integrado a outras organizações similares, está alinhado com ações que promovam a igualdade, o entendimento e a convivência pacífica entre homens e mulheres. Os princípios da Cultura de Paz muito podem contribuir para a obtenção dessa meta.