A mídia deve mostrar imagens de violência ?

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A tragédia na Universidade Politécnica Virgínia (EUA) ocorrida em abril de 2007, ocasião em que morreram 32 pessoas e o próprio atirador, Cho Seung-hui, abalou a sociedade americana e de outros países. Além da violência dos fatos, o impacto das imagens e mensagens de Seung-hui, transmitidas pela rede de TV NBC, abriu intenso debate envolvendo profissionais de mídia, autoridades, familiares das vítimas e a sociedade, ponderando se estes conteúdos deveriam ou não ser transmitidos.

Duas questões ocupam o centro das inquietações: a mídia deve mostrar imagens de violência pelo compromisso de informar ? O que é pior, a população não ser informada sobre a violência que ocorre em sua real dimensão ou informar com as conseqüências que podem surgir ?

Para que os educadores tenham subsídios para abordagem deste tema, o JEC entrevistou os jornalistas André Trigueiros, que é apresentador da Globo News e comentarista da rádio CBN, e Vânia Bueno, fundadora e diretora de imagens e eventos da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom).

Opiniões

De Vânia Bueno

Os veículos de comunicação têm como missão manter seus leitores informados. A violência faz parte da nossa realidade e, portanto, é papel da mídia retratá-la como componente deste contexto.

A informação é essencial para os processos de tomada de consciência, para a não-alienação. A considerar “real dimensão”. Todo episódio é apenas um fragmento de uma realidade maior. O que a mídia faz é recortar e valorizar um ou alguns aspectos deste todo, muitas vezes omitindo fatos e circunstâncias que poderiam dar outras dimensão aos fatos.

A mídia convencional tem seu foco no que é problema, ameaça, perda, mas a vida é muito mais que isso. O que pode haver de contribuição mesmo nas situações mais difíceis ? Quem nos falará sobre soluções ?


De André Trigueiros

A mídia tem o dever de informar o que é noticia, o que é de interesse público. É preciso admitir que os conteúdos violentos também fazem parte di nosso cotidiano e podem eventualmente ser entendidos como notícias.

Não defendo a censura em nenhuma hipótese, mas a calibragem adequada destes conteúdos de forma a não tornar a violência espetacular ou parte do show, que certos noticiários preconizam. O pior é transformar a violência dos dias de hoje numa fonte de inspiração para o jornalismo espetáculo.

O papel dos jornalistas é informar com responsabilidade os assuntos do cotidiano, sejam eles violentos ou não. A forma como se faz isso é que deveria ser alvo de maior cuidado.


Fonte: Jornal “A Tribuna”, coluna “Jornal, Escola e Comunidade”, em 20/04/07-Pág C8

 

Mídia construtiva – a responsabilidade de todos

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Sílvia Costa

A mídia tem sido alvo de constantes ataques devido à qualidade dos produtos que apresenta à população. Nos canais comerciais de televisão, poucos são os programas com relativo nível de qualidade. Programas com violência de todo o tipo, erotismo e humor de baixo nível é o que predomina nesses segmentos. Os jornais são alvo de críticas. A mídia tem sido apresentada como grande vilã que corrompe crianças e jovens e pouco colabora para a cultura do povo. Porém, o processo não é unilateral e tão simples assim.

A mídia é desenvolvida por empresas que querem antes de mais nada vender seu produto para os clientes. Para isso, direciona a produção em função do gosto e preferência da maioria dos clientes. Assim acontece com os filmes, de cinema ou TV, com os jornais, revistas e outras modalidades midiáticas. As filas de cinema são uma prova disso. Quanto mais violento for o filme, maior é a fila de pessoas na entrada. Não é raro, filmes de qualidade não permanecerem em cartaz por falta de interessados. Bons programas de TV nem sempre dão IBOPE e canais com priorização de programas culturais não têm a preferência do público. Portanto, o consumidor da mídia também é responsável pelo que é veiculado. O ditado popular que diz “ cada povo tem o governo que merece ” também se aplica à mídia: “ cada povo tem a mídia que merece”.

Mas se o povo tem baixo nível evolutivo, não tem condições de escolher melhor. Portanto, caberia aos produtores de mídia proporcionar-lhes produtos que fossem de agrado e ao mesmo tempo contribuíssem para sua evolução cultural e consciencial. Porém, aí deparamos com outro problema: a mídia depende de patrocinadores e anunciantes. E estes querem investir em produtos que alcancem o maior número de pessoas, que tenham um público garantido. Daí que, para os jogos de futebol, programas populares, novelas não faltam patrocinadores. Felizmente, já começa a ganhar força o interesse de empresas preocupadas com marketing social e dispostas a investirem em ações que promovam o bem estar social e a cultural da população.

Para que haja um salto qualitativo na mídia em geral faz-se necessária uma cadeia de conscientização:

1- Conscientização de educadores - (educadores em geral, não só professores), para que preparem as novas gerações (e as outras também) para deixarem de ser midíocres e se tornarem midioconscientes. Caberá a eles também interagirem com os produtores de mídia incentivando-os a melhorar os produtos e ensinando os midioconscientes para que façam o mesmo.

2 – Conscientização do público - Embora não seja tarefa fácil, é necessário que seja feita a alfabetização midiática do público usuário de mídia, ampliando a massa crítica, divulgando as boas programações que existem e alertando sobre aspectos éticos e psicossociais.

Conscientização dos Empresários – se educadores e número significativo de pessoas começarem a manifestar nova postura ante a mídia, interagindo, expondo a necessidade de melhoria do produto, mostrando a responsabilidade dos empresários nos efeitos que a mídia produz, aos poucos será possível a mudança de paradigma também em nível empresarial. A mobilização das empresas cidadãs demonstra que está havendo uma nova tendência no meio empresarial. Nessa perspectiva, espera-se que tanto os empresários de mídia quanto os patrocinadores e anunciantes adotem posturas menos egoísticas, visando só os aspectos de lucro financeiro e passem a se preocupar com sua responsabilidade na evolução da sociedade que consome seus produtos.

Conscientização dos profissionais da mídia – cabe às faculdades de comunicação, administração e marketing cumprirem seu papel na formação ética dos profissionais. Porém para que isso aconteça é preciso que os professores universitários sejam midioconscientes e realmente engajados e interativos. Não basta só criticar nas salas de aula como comumente acontece. Quanto aos que já saíram das faculdades, cabe às associações de classe, às revistas especializadas e aos movimentos pela ética na mídia procederem às reflexões necessárias e difundirem novas metodologias .

Perspectiva – Com o trabalho de comunicadores comprometidos com a mobilização pela mídia pró-ativa, responsável e construtiva, haverá mais possibilidade dos profissionais e usuários de mídia, empresários e educadores terem acesso a esse conhecimento e formas de adesão . Só assim, poderão reprogramar suas atitudes, tanto na produção quanto na absorção dos produtos midiáticos.
Com esta mobilização em andamento, pode-se ter perspectiva otimista para a conscientização dos usuários de mídia em geral, em relação à mídia construtiva e transformadora.

 

Jornalismo de Transformação

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em prol da transformação individual e coletiva

Para Edvaldo Pereira Lima, Doutor em Ciência da Comunicação, jornalista e professor, a situação trágica do mundo moderno, cercado de guerras e violência por todos os lados, o esgotamento crescente do modelo civilizatório que temos, excessivamente calcado na questão econômica, pouco atento às questões sociais, quase nada aberto ao genuíno interesse pelo ser humano, a ignorância escondida por detrás do brilho opaco da inteligência fria sem alma, os enormes ataques da humanidade ao equilíbrio ecológico, tudo isso pede com urgência uma transformação das consciências. Pede uma coragem de rompimento com os modelos reducionistas de visão de mundo que nos asfixiam. Pede ação transformadora. O jornalismo não pode fugir ao seu compromisso com a vida.

Conheça na integra a matéria Jornalismo de Transformação de Edvaldo Pereira Lima.

Jornalismo de Transformação

A arte da narrativa, aplicada à construção de matérias que expressam em imagens empolgantes a realidade, exerce um natural e justo fascínio sobre o leitor. Igualmente, dispara em jovens talentos potenciais um entusiasmo contagiante. É bom que seja assim.

É bom que possamos ler aberturas de textos tão bem resolvidas como esta, de "Vamos Dançar?", de Ana Taís Martins, produzida para o livro coletivo Econautas: Ecologia e Jornalismo Literário Avançado (São Paulo e Canoas: Fundação Peirópolis e ULBRA, 1996), que tive a oportunidade de coordenar:

Avançando devagar e sempre o senhor que aparenta mais de sessenta anos, mas pode ter menos, afinal, o tempo passa rápido para uns e lento para outros, está quase na esquina com a avenida Consolação, centro de São Paulo. O carrinho pelo senhor puxado já vai abarrotado de jornais velhos, papéis rejeitados não usados e usados e a zoeira da avenida torna inaudível nossa voz para nós mesmos, mas o tal senhor se recusa a dar ouvidos a tamanha afronta auditiva. Equipou o carrinho com um rádio toca-fitas e lá vai ele, sim senhor, com a nona de Beethoven em volume estratosférico. Se "Pour Elise" anuncia a entrega do gás, por que "Ode à Alegria" não anuncia a chegada do papeleiro?

Lembro-me, quando garoto, de ler matérias maravilhosas que encantavam, na revista Realidade. Aquilo ecoava em mim, ajudava-me a encontrar uma identidade própria, uma possível vocação.

Continue Lendo - http://www.revelacaoonline.uniube.br/geral03/transforma.html

 

Alfabetização em mídia para o empoderamento da sociedade

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Roger Silverstone, na obra “ Por que Estudar a Mídia ? ” alerta para a necessidade da sociedade se alfabetizar em mídia. Esse conhecimento deve se difundir na sociedade criando uma massa de cidadãos alfabetizados em mídia, criando assim o Quinto Poder, constituído por uma cidadania informada cuja missão seria fiscalizar o Quarto Poder, constituído pela mídia.

Silverstone argumenta que é no dia-a-dia das pessoas, e não na cobertura de grandes eventos e catástrofes, que a força da mídia se mostra mais eficaz na formação do senso comum. Para ele, o conhecimento da mídia e sua democratização constituem um projeto político fundamental para formar cidadãos no século XXI.

Conheça mais sobre a visão de Roger Silverstone lendo os principais trechos de entrevista concedida por ele e redigida por Ubiratan Muarrek

http://www.usp.br/nce/wcp/arq/textos/65.pd

 

Acompanhe a evolução da Mídia Construtiva pela internet

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Felizmente já é possível encontrar estudos, pesquisas e informações sobre tendências e movimentos emergentes voltados para a Mídia Construtiva, Responsável Transformadora, Plural, em fim, seja qual for o nome. No início do século XXI, comunicadores de diversos segmentos convergiram suas ações numa grande mobilização pela Mídia de Paz.

O despertar para este novo paradigma vem crescendo no mundo e no Brasil. Porém, muito do que tem acontecido, passa desapercebido para a maioria da população, e, até mesmo dos profissionais de mídia. É preciso, que estas informações e conhecimentos sejam mais divulgados e inseridos nos currículos dos cursos de comunicação e na formação de usuários de mídia.

Iniciaremos a indicação de algumas fontes que poderão ser facilmente acessadas.

 

 

Imagens e Vozes de Esperança - ivebrasil.wordpress.com

 

 

SHIFT Agentes Transformadores - shift.org.br

Neste site há um segmento para Mídia Construtiva.

 

Mercado Ético - www.mercadoetico.com.br
Há postagens no segmento Sala Comunicação Responsável

 

 

Mídia de Paz Paraná - www.midiadepazparana.org.br

 

 

 

Aliança Internacional de Jornalistas - www.alianca-jornalistas.net/article3.html

 

 

Viva Pernambuco - vivapernambuco.com.br

 



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