Dia da Consciência Negra foi marcado por reflexões e propostas

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A situação dos negros e afro-descendentes no Brasil foi o tema da palestra que encerrou a 10ª Semana do Serviço Social, na Fundação Educacional Guaxupé - UNIFEG. Cleide Hilda, da Executiva Estadual do Movimento Nacional das Entidades Negras foi a palestrante, a convite dos vereadores da Câmara Municipal , Eurico Guedes da Silva, da Comissão de Direitos Humanos e Nesmar Brazão Guerini, da Comissão de Educação. Houve também participações do movimento negro de Guaxupé- Afroxé e Guaxupaz.

Na abertura do evento, os participantes puderam assistir apresentação de capoeira do Projeto “Capoeira para Todos” , que é desenvolvido na cidade. A palestrante iniciou sua fala fazendo alusão à cultura negra - “ a capoeira não é só dança ou esporte. É um símbolo da resistência da cultura negra e de sua característica de circularidade.

Para Cleide, há muito para se comemorar das conquistas da causa dos negros, mas também ainda há muito para se lutar. O Brasil é o lugar onde mais se mata jovens negros e Minas Gerais está em terceiro lugar entre os estados em que isto mais ocorre. Por este motivo foi criado o Programa Juventude Viva, que é uma política afirmativa.

A partir da década de 80, o movimento negro foi para as ruas e começou a avançar, denunciando o racismo e a discriminação, afirma Cleide. Porém, além de denunciar passaram também a estudar, pesquisar suas causas, levantar estatísticas. Mesmo assim, o Brasil tem muitos anos de atraso em relação às conquistas dos negros americanos.
A palestrante abordou a questão das cotas para os negros e descententes, chamando a atenção de que não basta reconhecer a dívida para com os negros, mas é preciso repará-la, assim, as cotas não vieram para privilegiar, mas para pagar uma dívida .
Cleide apresentou um diagnóstico de que os alunos cotistas tem feito jus à oportunidade oferecida, uma vez que o aproveitamento dos alunos cotistas tem sido bom ou igual ao dos demais estudantes.
A exploração e depreciação da mulher negra pelo homem machista também foi abordada.

A Lei 10.639/2003 que estabelece que inclusão da cultura afro em todas as escolas foi
questionada . A educação segundo ela, sempre foi pauta da luta dos negros, mas ainda não se conhece a história do povo que construiu este país. Os professores precisam conhecer esta história para poder transmiti-la.
O representante do movimento Afroxé, Everton Daniel Paulino de Orlando, expressou as discriminações sofridas e lamentou que não se ensine nas escolas a história da influência negra na cidade, nem as desigualdades sofridas.

A universitária Paula Cinthia Pereira, expressou a admiração dos estudantes pela palestra, afirmando que cada palavra dita por Cleide Hilda, foi um aprendizado importante para a formação do Assistente Social que tem a função de interagir na sociedade pela igualdade e pela Justiça.

Propostas

Das considerações feitas pela palestrante, das intervenções dos participantes e sugestões feitas pela representante do Guaxupaz, surgiram propostas para concretização de algumas questões. De início, que se forme um coletivo de pessoas interessadas , juntamente com o curso de Serviço Social, Guaxupaz e Grupo Afrouxe, Capoeira para Todos a fim de elaborar a história da Cultura Negra e da situação dos negros da cidade para ser disponibilizada às escolas e à comunidade. O exemplo de negros contadores de histórias é bastante sugestiva e poderá ser organizada.
Como Cleide Hilda é formadora de professores para o currículo de Cultura Africana, ela se dispôs a orientar como proceder para que se faça esta capacitação na região.